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Economia

Baixo nível de estoques de gás gera alerta para o inverno na Europa

Reservas de armazenamento subterrâneo estão 12,4 pontos percentuais abaixo do ano passado e enfrentam riscos de logística no Oriente Médio.

Por Redação Diário Local

As reservas de gás nas instalações de armazenamento subterrâneo da Europa estão caindo rapidamente, o que gera preocupação quanto à segurança energética para a temporada de inverno. Dados da Gas Infrastructure Europe, divulgados nesta segunda-feira (10), apontam que os estoques estão com apenas 59,1% de capacidade, um patamar 12,4 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

A queda nos estoques ocorre em um cenário de instabilidade no Oriente Médio. O fechamento da passagem de navios de carga pelo Estreito de Ormuz ameaça o fornecimento de Gás Natural Liquefeito (GNL), uma vez que cerca de 20% do suprimento mundial do insumo utiliza essa rota, segundo cálculos de consultorias.

Além dos problemas logísticos, uma onda de calor anormal na Europa neste ano elevou o consumo de eletricidade, pressionando o sistema. O analista Ronald Pinto, da Kpler First, destacou que a União Europeia encerrou o último inverno com o armazenamento subterrâneo em apenas 28%, um nível significativamente menor do que o observado em anos anteriores.

Outro fator que dificulta o reabastecimento é o preço elevado. A taxa de injeção de gás nas instalações de armazenamento desacelerou porque as empresas de energia estão relutantes em comprar o combustível nos valores atuais. O receio é que não consigam revender o produto aos consumidores durante o inverno sem registrar prejuízos.

Por que o fornecimento de gás pode diminuir?

A segurança energética do bloco europeu também será impactada por mudanças contratuais. A partir de 1º de janeiro de 2027, entrará em vigor a proibição total das importações de GNL russo para a União Europeia sob contratos de longo prazo. Atualmente, a Rússia ainda responde por cerca de 12% das importações de gás do bloco, de acordo com o Conselho Europeu.

O custo do combustível já apresenta forte tendência de alta. O contrato TTF holandês, padrão de referência para o gás europeu, negocia entregas para setembro entre 55 e 58 euros por megawatt-hora. Antes do conflito no Oriente Médio, o valor era de 30 euros; antes da guerra na Ucrânia, em 2022, o custo oscilava entre 15 e 20 euros.

Quais são os riscos para o inverno?

Caso o inverno seja rigoroso e as reservas se esgotem, os países europeus podem ser obrigados a recorrer ao mercado spot, onde os preços são consideravelmente mais altos. Uma alternativa seria mudar o consumo para carvão e óleo combustível, mas a medida é considerada antieconômica e com impacto negativo ao meio ambiente.

Especialistas alertam ainda para o risco de uma disputa comercial global. Se o fornecimento de GNL no Oriente Médio não for retomado e as reservas não subirem, a necessidade de competir com a Ásia por novas remessas pode elevar os preços para até US$ 1.000 por 1 mil metros cúbicos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.