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Agronegócio

Fábricas de café em Linhares, Sooretama e Viana recebem R$ 1,2 bilhão em investimentos

Investimentos em novas unidades de processamento em três cidades capixabas impulsionam a retenção de margem no setor cafeeiro.

Por Redação Diário Local

Três municípios do Espírito Santo, Linhares, Sooretama e Viana, receberam investimentos de R$ 1,2 bilhão para a implantação de novas fábricas de café em 2025. As unidades focam em diferentes segmentos, incluindo café solúvel, descafeinado e cafés especiais.

Em Linhares, a OFI inaugurou uma unidade de café solúvel com um investimento de R$ 1 bilhão, que disponibiliza 300 empregos diretos. No município de Sooretama, a DM Brasil abriu uma fábrica de descafeinado com capacidade de produção de 400 mil sacas por ano, após aplicar R$ 160 milhões.

A terceira unidade está em Viana, onde a Real Café Reserva destinou R$ 20 milhões para uma planta voltada a cafés especiais. O movimento integra um cenário de crescimento do Espírito Santo, que busca deixar de ser apenas o maior produtor de conilon para se tornar um grande processador do produto.

Por que o processamento é estratégico para o setor?

A industrialização permite que o estado retenha uma parte maior da margem de lucro que, historicamente, ficava com países que apenas processam e comercializam o produto final, como Alemanha e Suíça. Segundo o economista Orlando Caliman, da Apex Partners, o protagonismo capixaba ajuda o Brasil a desafiar a lógica de países que controlam o consumo e os estoques globais.

A participação do Espírito Santo nas exportações brasileiras de café solúvel subiu de 8% em 2005 para 20% em 2025, conforme dados do Comexstat presentes no Panorama do Café da Apex Partners. Em 2024, o estado exportou mais de US$ 216 milhões em café solúvel, um crescimento de 28% em relação ao ano anterior.

Além dessas unidades, outros aportes reforçam o setor no estado. A Rancheiro investe R$ 80 milhões em uma fábrica de moagem em Linhares, com previsão de 150 empregos, enquanto a Kaffee planeja inaugurar uma unidade industrial e de armazenagem em 2027, com R$ 55 milhões.

Quais são os desafios para o crescimento?

Apesar da expansão, o setor ainda enfrenta o gargalo de não atingir diretamente o varejo internacional. De acordo com Orlando Caliman, o Brasil ainda possui limitações para acessar mercados de café mais sofisticados, vendendo o produto processado a granel para grandes empresas que detêm as marcas, em vez de chegar ao consumidor final.

O crescimento do complexo cafeeiro em Linhares é impulsionado pela proximidade com o Porto de Vitória, o que torna a região competitiva para o escoamento. O Instituto Jones dos Santos Neves projeta que, entre 2024 e 2029, o Espírito Santo deve receber R$ 137,6 bilhões em investimentos públicos e privados, sendo que apenas em Linhares a projeção para o setor cafeeiro é de R$ 4 bilhões até 2028.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.