Falta de mão de obra qualificada atinge diversos setores da indústria em Minas Gerais
Escassez de técnicos em áreas como automação e mecatrônica compromete a produtividade de empresas mineiras, afirma Senai-MG
Por Davy Albuquerque
A falta de profissionais qualificados atingiu praticamente todos os segmentos da indústria em Minas Gerais, comprometendo a produtividade de empresas de diferentes portes e setores. De acordo com o Senai-MG, a dificuldade para preencher vagas, especialmente em áreas ligadas à automação e tecnologia, tornou-se um problema generalizado nos últimos dois anos.
A escassez de trabalhadores especializados é percebida em ramos como siderurgia, montadoras de veículos, mineração, metalurgia, setor de alimentos e construção civil. Segundo Natália Trindade de Souza, coordenadora de Infraestrutura de Tecnologias Educacionais do Senai-MG, as empresas buscam cada vez mais profissionais que consigam operar sistemas tecnológicos e processos automatizados.
Por que há falta de mão de obra especializada?
A modernização das fábricas e a implementação da chamada Indústria 4.0 aceleraram a procura por técnicos em áreas como automação industrial, mecatrônica, eletromecânica, mecânica e eletrotécnica. O desafio reside na rapidez com que a tecnologia evolui em comparação à formação de novos profissionais.
Além disso, a cultura de valorização exclusiva do ensino superior influencia a escolha dos jovens, que muitas vezes não enxergam as oportunidades de salários competitivos nas carreiras técnicas. Outro fator mencionado é o modelo de contratação, que exige presença física e jornada fixa, o que diverge das expectativas de parte da nova geração.
A construção civil também enfrenta dificuldades históricas, com falta de profissionais desde funções operacionais até cargos técnicos. Mesmo cursos gratuitos voltados para eletricistas e construtores de alvenaria têm encontrado resistência na atração de novos alunos.
Como o Senai-MG busca solucionar o problema?
Para reduzir o déficit, o Senai-MG realiza a revisão de seus currículos a cada dois anos com a participação direta de representantes das indústrias. O objetivo é garantir que as competências ensinadas estejam alinhadas ao que o mercado de trabalho exige.
A instituição também promove ações de orientação profissional, como o programa Mundo SENAI, que realiza visitas às unidades e oferece minicursos. Os dados de empregabilidade da entidade indicam que 91,2% dos alunos formados conseguem colocação na indústria, e 92,4% das empresas consultadas afirmam dar preferência a profissionais formados pelo Senai.
As inscrições para novos cursos técnicos seguem abertas até o dia 29 de julho, com início das aulas previsto para 3 de agosto. Entre as principais ofertas estão as áreas de automação, mecatrônica, eletrotécnica, eletromecânica, mecânica e segurança do trabalho. A primeira mensalidade tem o valor de R$ 99,90.
