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Economia

Juros baixos atraem 94% das indústrias que buscam fundos constitucionais, aponta CNI

Levantamento da CNI mostra que custo reduzido é principal atrativo, mas burocracia e desconhecimento ainda barram acesso

Por Davy Albuquerque

As taxas de juros reduzidas foram o principal motivo para 94% das indústrias que utilizaram os Fundos Constitucionais de Financiamento (FCFs) entre 2022 e 2025. O dado faz parte de um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado nesta quarta-feira (15), em parceria com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

Os fundos — que abrangem o Fundo Constitucional do Norte (FNO), do Nordeste (FNE) e do Centro-Oeste (FCO) — funcionam com recursos públicos para promover o desenvolvimento regional. Segundo a pesquisa, o custo do financiamento aparece como o principal fator de atração para o setor, rompendo a lógica do mercado de crédito tradicional.

Além dos juros baixos, 56% das empresas citaram os prazos de pagamento e de carência como motivos para contratar os recursos. Outros 24% dos entrevistados destacaram o relacionamento prévio com o banco operador como fator decisivo para a escolha do financiamento.

Burocracia e desconhecimento dificultam acesso

Apesar do atrativo, o alcance das políticas públicas ainda enfrenta barreiras. O levantamento aponta que 38,1% das empresas afirmam desconhecer a existência dos fundos constitucionais. Entre as indústrias que conhecem as linhas, mas não solicitaram o crédito, 38,5% desistiram devido à burocracia ou à demora na análise dos pedidos.

As exigências bancárias também são um entrave. Entre as empresas que chegaram a buscar o crédito, 38% consideraram excessivas as garantias exigidas pelos bancos operadores. De acordo com a CNI, ainda há espaço para aumentar a competitividade das linhas voltadas à indústria, que seguem mais caras que as destinadas ao setor rural.

Destinação dos recursos e impacto na produção

Os dados indicam que os financiamentos são usados majoritariamente para investimentos de longo prazo. A compra de máquinas e equipamentos foi o principal destino para 56% das empresas, enquanto 22% aplicaram os recursos na modernização ou ampliação de fábricas e armazéns.

O crédito para capital de giro foi utilizado por apenas 18% das indústrias. Já a recuperação financeira foi o foco de apenas 5,4% dos beneficiados. O impacto positivo dos recursos foi relatado por 88,6% das empresas, com foco na modernização da produção, expansão da capacidade instalada e geração de empregos.

Sobre a satisfação com o modelo, 68% das empresas responderam de forma positiva, citando as taxas de juros (56,3%) e o atendimento (40,6%) como pontos fortes. A pesquisa ouviu 147 empresas industriais entre outubro de 2025 e janeiro de 2026.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.