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Economia

Ibovespa pode registrar 5º mês de queda após anúncio de sobretaxa dos Estados Unidos

Principal índice da B3 perde fôlego após anúncio de 25% de sobretaxa sobre produtos brasileiros e tensão no Oriente Médio.

Por Davy Albuquerque

O Ibovespa — principal índice da B3 — pode registrar o quinto mês consecutivo de queda caso as perdas iniciadas após o anúncio de uma sobretaxa dos Estados Unidos se ampliem. O índice, que até a segunda-feira (13) acumulava alta de 2,16% em julho, agora registra alta de apenas 0,98% no mês, após encerrar a semana com queda de 2,33%.

A perda de fôlego ocorre devido ao anúncio de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, feito na quarta-feira (15), somado à tensão no Oriente Médio. O movimento retira a Bolsa de um dos melhores períodos desde a pandemia e a coloca em um dos piores em cinco meses, o que evidencia a alta volatilidade do mercado em 2026.

Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, o desempenho do mercado tem alternado momentos de forte otimismo com períodos de intensa aversão ao risco. Essa rapidez na reação às mudanças do cenário econômico tem marcado o comportamento dos investidores no Brasil.

O histórico do ano mostra que o Ibovespa teve um início de 2026 positivo, com altas de 12,56% em janeiro e 4,09% em fevereiro. No entanto, o índice iniciou uma sequência de recuos logo em seguida.

Nos meses seguintes, o Ibovespa registrou variações negativas de -0,70% em março, -0,08% em abril, -7,22% em maio e -1,01% em junho. A queda em maio foi o pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023.

Como o mercado tem reagido aos cenários econômicos?

Para a consultoria Elos Ayta, a sequência de extremos ilustra como o mercado brasileiro reage rapidamente às mudanças do cenário econômico. A alternância entre otimismo e aversão ao risco ocorre em um intervalo de tempo relativamente curto.

A recuperação observada em julho, embora parcial, perdeu força após o anúncio do tarifaço dos Estados Unidos. O movimento de alta diminuiu de intensidade após o início das novas medidas comerciais.

Qual a tendência para o Ibovespa?

Apesar da tentativa de recuperação em julho, a consultoria avalia que os sinais atuais são insuficientes para confirmar uma reversão consistente da tendência negativa observada ao longo do segundo trimestre.

O cenário de incertezas persiste, com o mercado monitorando tanto as questões de política comercial externa quanto os conflitos geopolíticos no Oriente Médio.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.