Custos elevados impulsionam empresas alemãs a transferirem investimentos para o exterior
Alta de custos e problemas estruturais na Alemanha levam 43% das indústrias a planejar expansão fora do país, aponta pesquisa.
Por Davy Albuquerque
Empresas alemãs estão ampliando os planos de investimento no exterior devido ao aumento dos custos de produção e a problemas estruturais internos. De acordo com dados da Associação das Câmaras de Comércio e Indústria Alemãs (DIHK), 43% das indústrias do país planejam realizar investimentos estrangeiros em 2026, um aumento de 3 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
O movimento reflete uma mudança de estratégia nas companhias. Enquanto no passado os investimentos fora da Alemanha visavam a abertura de novos mercados e expansão de vendas, o foco atual é a redução de gastos. A participação de empresas que investem para desenvolvimento de mercado caiu de 30% para 28%.
Essa busca por eficiência financeira tem gerado impactos no emprego local. O investimento no exterior tem sido utilizado para cortes significativos nas unidades domésticas alemãs, em vez de apenas impulsionar a expansão global.
Por que as empresas buscam o exterior?
O principal motor dessa tendência é a pressão de custos, que atingiu níveis recordes para a indústria do país. Segundo a DIHK, as condições econômicas desfavoráveis na Alemanha tornam a operação interna menos competitiva.
Além dos custos, fatores geopolíticos também influenciam as decisões. A disputa tarifária com os Estados Unidos tem gerado incertezas que fazem com que muitas empresas adiem decisões de longo prazo.
Quais são os destinos preferenciais?
A Zona do Euro continua sendo a principal região de destino para o capital alemão, concentrando 64% dos investimentos. A estabilidade do mercado único e a segurança da moeda compartilhada são fatores decisivos para as empresas em tempos de incerteza.
Em contrapartida, a América do Norte vem perdendo espaço. A participação das empresas alemãs que planejam investir naquela região caiu de 48% para 44%. Já a Ásia apresenta crescimento: o interesse em investir na China subiu de 31% para 34%, e a região Ásia-Pacífico (excluindo a China) saltou de 21% para 26%.
Diagnósticos sobre a saída de capital
Embora o movimento de expansão externa seja notável, há visões divergentes sobre a magnitude do fluxo de saída de capital. O banco estatal de desenvolvimento alemão KfW observou que empresas de médio porte reduziram sua presença internacional, com o número de companhias atuando no exterior caindo de 880 mil em 2022 para 760 mil em 2023.
O economista-chefe do KfW apontou que tensões geopolíticas e a concorrência de exportações da China contribuem para o cenário de comércio exterior deteriorado.
Por outro lado, o professor Steffen Müller, do Instituto Leibniz de Pesquisa Econômica de Halle (IWH), argumenta que os investimentos diretos alemães no exterior estão abaixo dos níveis máximos históricos. Citando dados do Banco Central da Alemanha (Bundesbank), Müller observa que os valores das transações anuais caíram de 120 bilhões de euros, no período de 2017 a 2022, para 80 bilhões em 2024.
