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Indústria

Montadoras chinesas e veículos elétricos transformam perfil da indústria automotiva no Brasil

Expansão de marcas como BYD e GWM e aumento de modelos eletrificados redesenham o mercado de veículos nacional

Por Davy Albuquerque

O mercado automotivo brasileiro passa por uma transformação no seu perfil industrial, impulsionada pelo avanço dos veículos eletrificados e pela chegada de montadoras chinesas. O movimento envolve a ocupação de unidades fabris deixadas por marcas tradicionais por novos players focados em tecnologia híbrida e elétrica.

De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção nacional de veículos cresceu de 2,36 milhões de unidades em 2022 para 2,64 milhões em 2025. No primeiro semestre de 2026, o volume produzido atingiu 1,37 milhão de unidades.

A transição para modelos com menor uso de combustíveis fósseis também é expressiva. A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) registrou que as vendas de veículos eletrificados, que somavam pouco mais de mil unidades em 2016, superaram 215 mil no primeiro semestre de 2026.

Como as marcas chinesas ganharam mercado?

A mudança no protagonismo das fabricantes é evidente nos dados de vendas. Em 2022, a japonesa Toyota liderava o segmento de eletrificados com 55,3% de participação. Em 2026, o cenário foi invertido com a liderança das marcas chinesas.

No primeiro semestre de 2026, a BYD alcançou 46,08% de participação no mercado de eletrificados, com 99 mil veículos vendidos. A GWM também figura entre as líderes, enquanto a Toyota ocupa o terceiro lugar no ranking, seguida pelas fabricantes Geely e Omoda Jaecoo.

A entrada dessas empresas ocorre em diferentes etapas. Após um período focado em importação e instalação de fábricas, as marcas chinesas agora investem em projetos de produção nacional, utilizando muitas vezes plantas que antes pertenciam a outras montadoras, como ocorreu em Iracemápolis (SP), com a GWM ocupando o espaço da Mercedes-Benz.

Quais os impactos para a indústria nacional?

O crescimento acelerado das importações e de novos modelos de montagem tem gerado alertas na indústria instalada no país. A Anfavea apontou que as importações vindas da China subiram de 71 mil para 140 mil unidades em apenas um ano.

A entidade critica o uso frequente dos modelos CKD (veículos que chegam totalmente desmontados) e SKD (veículos que chegam semidesmontados). Segundo a associação, esse sistema de montagem por kits exige cerca de 70% menos mão de obra do que a produção integral de um veículo.

Para proteger a cadeia de produção nacional, a Anfavea defende que os investimentos sejam direcionados à fabricação completa no Brasil. Em resposta a movimentações do setor, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que retomou temporariamente cotas de importação para alinhar ações de renovação de frota, inovação e descarbonização.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.