Projetos de industrialização de café em Linhares são estimados em R$ 1,2 bilhão
Segundo análise de colunista, investimentos em processamento e industrialização do setor ocorrem no município e sinalizam adensamento da cadeia produtiva.
Por Redação Diário Local
A indústria de café no Espírito Santo apresenta um ciclo de expansão e maior complexidade econômica, com investimentos estimados em R$ 1,2 bilhão apenas no município de Linhares. Os aportes estão voltados para projetos de processamento e industrialização, envolvendo empresas como Olam/Ofi, DM Brasil, Cacique, entre outras do setor.
O movimento sinaliza o adensamento da cadeia produtiva capixaba, que migra de uma base concentrada na produção primária para um modelo de maior agregação de valor. Esse processo é impulsionado pelo fortalecimento dos elos industriais e pela integração de novas tecnologias nas lavouras.
Historicamente, a cafeicultura moldou a economia e a ocupação territorial do estado. Até a década de 1960, o setor correspondia a cerca de 80% da produção agropecuária e a mais de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo.
Apesar da importância, o setor enfrentou crises severas ao longo do século XX. Na década de 1930, por determinação do governo federal, milhares de sacas foram queimadas no Porto de Vitória, e estima-se que 45% da produção estadual tenha sido incinerada na época.
Outro impacto relevante ocorreu na década de 1960, durante a política de erradicação de cafezais. Naquele período, aproximadamente 157 mil hectares foram erradicados no estado, atingindo cerca de metade da área e dos cafeeiros existentes.
Por que o café capixaba se reinventou?
A reinvenção do setor consolidou a importância de duas variedades: o arábica e o conilon. O conilon tornou-se um motor de inovação por meio de processos de pesquisa, melhoramento genético e propagação clonal, transformando a produção local.
Um marco tecnológico ocorreu a partir de 1983, quando técnicos de pesquisa adaptaram o sistema de multiplicação clonal de eucalipto — desenvolvido pela então Aracruz Celulose — para a produção de mudas de café conilon. A tecnologia foi aperfeiçoada por instituições como a então EMCAPA, atual Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (INCAPER).
O que mudou na produtividade e no mercado?
Com a incorporação de métodos como irrigação, mecanização e seleção genética, o Espírito Santo atingiu níveis de produtividade entre os mais elevados do mundo, chegando a 55 sacas por hectare.
O fortalecimento do setor reflete a transição de uma economia dependente de um único produto para um conjunto de cadeias cafeeiras diversificadas. O foco atual é o aumento do processamento industrial e a sofisticação do produto final para garantir maior valor agregado.
