Ministro da Agricultura se diz otimista com China apesar de sobretaxa em carne bovina
André de Paula cita habilitação de novos frigoríficos e abertura de mercado para miúdos como avanços nas relações bilaterais com Pequim.
Por Redação Diário Local
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou nesta terça-feira (13) que está otimista com as relações comerciais entre Brasil e China. A declaração ocorre apesar das restrições impostas por Pequim à importação de carne bovina brasileira, que passou a sofrer uma sobretaxa de 55% desde o dia 1º de outubro.
A sobretaxa foi aplicada pelo governo chinês após o Brasil atingir o limite de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina estabelecido para o ano. Com o acréscimo da alíquota convencional de 12%, a taxação total sobre os embarques que ultrapassarem a cota chega a 67%.
Durante entrevista realizada em Brasília, o ministro citou como avanços nas negociações bilaterais a habilitação de quatro frigoríficos brasileiros para exportação à China e a abertura do mercado chinês para miúdos suínos. Ele também destacou que uma missão chinesa realizou uma auditoria de sete dias em 17 frigoríficos distribuídos por seis estados brasileiros.
André de Paula afirmou que espera que novas unidades sejam autorizadas a realizar vendas para o país asiático em breve. O ministro também mencionou que existem negociações para permitir a comercialização de miúdos bovinos à China, após a abertura recente do mercado para miúdos suínos vermelhos, que incluem órgãos internos dos animais.
Segundo o ministro, embora esses produtos tenham menor valor comercial no Brasil, eles são valorizados pelos consumidores chineses. Ele expressou esperança de que notícias positivas sobre a venda de miúdos bovinos surjam rapidamente.
A medida de sobretaxa faz parte de um sistema de salvaguardas comerciais adotado pela China para proteger seus produtores locais. As restrições, que também atingem outros fornecedores internacionais, têm previsão de vigorar até 2028.
A China é o principal destino da carne bovina brasileira e representou cerca de 48% do volume exportado pelo país em 2025. Questionado sobre a possibilidade de ampliar a cota de carne bovina, o ministro não confirmou se existem tratativas específicas para rever o limite atual.
Os reflexos das restrições comerciais já são observados nos dados do setor. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), os embarques de carne para a China somaram 12.900 toneladas em setembro de 2026, o que representa uma queda de 93,2% em relação ao mesmo mês de 2025.
