Oferta de diesel no Brasil fica estável até setembro com aumento da produção nacional
Levantamento da StoneX mostra que produção interna cresceu 4,5% no ano, enquanto importações recuaram devido à menor oferta da Rússia.
Por Redação Diário Local
A oferta de diesel no Brasil somou 45,4 milhões de m³ entre janeiro e setembro de 2026, mantendo a estabilidade em relação aos 45,6 milhões registrados no mesmo período de 2025. O levantamento da área de Inteligência de Mercado da StoneX aponta que a mudança principal ocorreu na composição do volume, com aumento da produção nacional e redução das importações.
As importações do combustível recuaram 13,5% no período, caindo para 10,9 milhões de m³. A redução foi impulsionada pela menor oferta vinda da Rússia, que passou de 6,9 para 5,0 milhões de m³. Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos compensaram apenas parcialmente essa queda, com uma alta conjunta de cerca de 0,9 milhão de m³.
Por que a produção interna cresceu?
Em sentido oposto às importações, a produção brasileira de diesel avançou 4,5%, chegando a 34,5 milhões de m³. O crescimento foi sustentado pelo aumento do fator de utilização total (FUT) — que mede o volume de petróleo processado em relação à capacidade máxima — das refinarias no país.
Entre as unidades com maior desempenho, destacam-se a Rnest, com alta de 60%, a Replan, com 21%, e a Refap, com 14%. Com esse avanço, o balanço acumulado de 2026 foi positivo no primeiro semestre, atingindo um pico de 837 mil m³ em maio.
No entanto, a partir de junho, o indicador de oferta passou a apresentar déficit, encerrando setembro com um saldo negativo de 961 mil m³. Segundo a consultoria, o cenário reflete a sazonalidade do segundo semestre, quando as vendas crescem devido aos preparativos para a safra de soja.
Há risco de desabastecimento?
Apesar do déficit observado em setembro, a StoneX afirma que não há previsão de falta sistêmica de diesel no mercado. O risco de escassez é considerado concentrado em restrições localizadas e temporárias, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, que são mais dependentes de transferências e do escoamento logístico em períodos de alta demanda.
Para 2026, a projeção de demanda para o diesel B foi mantida em 70,6 milhões de m³ (+1,6% em relação ao ano anterior). A demanda no Centro-Oeste deve crescer 2%, puxada pelo Mato Grosso (+4,4%), enquanto o Nordeste deve subir 2,2%, com destaque para o Ceará (+7,0%).
Já as regiões Sudeste e Sul tiveram projeções de demanda revistas para baixo, com crescimentos de 1,2% e 1,0%, respectivamente. No caso de São Paulo, a estimativa é de recuo de 0,25%, influenciado pela queda na importação de fertilizantes e pela desaceleração das atividades industriais no estado.
