Oncoclínicas vende participação de 51% em empresa na Arábia Saudita por US$ 6,55 milhões
Venda da participação na Specialized Medical Treatment Company visa simplificar portfólio e reduzir exposição a riscos cambiais.
Por Redação Diário Local
A Oncoclínicas anunciou nesta quarta-feira (22) a venda de sua participação de 51% na Specialized Medical Treatment Company (SMTC). A operação, que envolve a joint venture realizada com o grupo saudita Al Faisaliah, será efetuada pelo valor de US$ 6,55 milhões à vista.
A compradora da fatia majoritária será a Al Faisaliah Group Holding Company. A transação ocorre em conjunto com a Advanced Drug Company for Pharmaceuticals, uma subsidiária do grupo saudita que já detém 49% de participação na SMTC.
Segundo informações da Oncoclínicas, a venda tem como foco a simplificação do portfólio e a desalavancagem da companhia. A estratégia busca concentrar os esforços no mercado brasileiro e eliminar a necessidade de futuros compromissos de capitalização na joint venture.
Com a saída da sociedade, a empresa também pretende reduzir a exposição a riscos cambiais e operacionais fora do Brasil. A movimentação altera o curso de um projeto que havia sido apresentado há menos de dois anos como a principal estratégia de internacionalização da rede de tratamento contra o câncer.
O plano de expansão internacional previa a abertura de uma clínica principal em Riade, capital da Arábia Saudita, além de unidades em Jeddah e Meca. A projeção inicial para a SMTC era de faturamento de US$ 550 milhões e lucro operacional (Ebitda) de US$ 150 milhões em um período de cinco anos.
A revisão do projeto ocorre em meio a um cenário de reestruturação financeira. Na semana passada, a Oncoclínicas protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para tentar reestruturar dívidas que somam R$ 5,1 bilhões.
A deterioração das condições financeiras da companhia, agravada por questões envolvendo o Banco Master, motivou a mudança de rota. O recuo nos planos globais já havia sido sinalizado pelo fundador da empresa, Bruno Ferrari, no ano passado.
A decisão encerra o ciclo de expansão agressiva no exterior que a companhia havia desenhado para a SMTC. Agora, o foco da rede volta-se para a gestão do endividamento e a consolidação das operações dentro do território nacional.
