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Economia

Peso colombiano supera o real como principal aposta para investidores em carry trade

Moeda da Colômbia registra valorização de 19% no ano, atraindo investidores que buscam altos rendimentos.

Por Redação Diário Local

O peso colombiano consolidou sua posição como a moeda de melhor desempenho entre os mercados emergentes em 2026. A divisa tornou-se o principal alvo de investidores que praticam o carry trade, atraídos por retornos que se aproximam de 20% ao ano.

Nesta quinta-feira (6), o peso registrava avanço de 0,3%, acumulando uma alta de 2,1% nos últimos três dias. No acumulado de 2026, a moeda já apresenta valorização de 19%, patamar que quase triplica o desempenho de outras divisas emergentes.

A valorização ocorre em um cenário de busca por rendimentos elevados. O mecanismo de carry trade funciona quando investidores tomam empréstimos em moedas com juros baixos para investir em ativos de países com taxas de juros mais altas, como é o caso da Colômbia.

De acordo com Jose Prieto Jaramillo, executivo do BTG Pactual em Bogotá, o mercado mantém a expectativa de inflação elevada no país. Segundo o executivo, esse cenário sustenta a trajetória de aperto monetário e mantém a força da moeda.

Por que o banco central tenta conter a valorização?

A força excessiva do peso colombiano tem preocupado as autoridades monetárias da Colômbia. Em tentativa de frear o movimento, o banco central anunciou um programa para acumular até US$ 4 bilhões em reservas internacionais.

Para alcançar o objetivo, a autoridade monetária utiliza leilões mensais de opções de venda. A estratégia teve início nesta semana, com uma oferta para compra de US$ 400 milhões, volume que foi rapidamente absorvido pelo mercado.

A rapidez na absorção do volume indica que as intervenções tiveram pouco efeito imediato sobre a valorização. Especialistas observam que os resultados dessas medidas tendem a aparecer apenas com o acúmulo de um volume maior de reservas ao longo do tempo.

Apesar de ter interrompido a sequência de altas de juros na última semana, o banco central mantém um tom cauteloso. Em relatório divulgado na terça-feira (4), a instituição elevou a projeção da inflação para 2026, de 6,4% para 6,9%.

A elevação da projeção ocorre devido ao risco de pressões inflacionárias causadas pelo fenômeno El Niño. Segundo Ning Sun, estrategista da State Street, a decisão recente de manter os juros não representa uma mudança para uma postura mais branda.

Como o cenário político afeta a moeda?

Além dos fatores econômicos, a melhora no ambiente político colombiano também tem reforçado a confiança dos investidores. O foco está nas promessas de controle de gastos e estabilidade fiscal.

O presidente eleito, Abelardo de la Espriella, assume o cargo nesta sexta-feira (7). Em seus compromissos, ele prometeu reduzir o déficit fiscal e controlar o aumento da dívida pública da Colômbia.

Qual o impacto para o Brasil?

A ascensão do peso colombiano altera a dinâmica de investimentos na América Latina. A preferência por ativos colombianos pode reduzir o espaço para outras moedas emergentes na região.

A estrategista Ning Sun afirma que o Brasil está perdendo parte do brilho como principal destino para operações de carry trade. Segundo ela, o aumento dos riscos políticos faz com que investidores busquem alternativas para substituir suas posições compradas no real.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.