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Economia

Preço do porco atinge menor patamar da história em São Paulo devido à sobreoferta e baixa demanda

Combinação de excesso de oferta e queda na procura por causa das férias escolares empurrou cotação para R$ 5,18 o quilo

Por Redação Diário Local

O preço do porco pronto para o abate atingiu o menor patamar de toda a série histórica em São Paulo. A combinação de sobreoferta de animais e demanda enfraquecida, registrada na segunda quinzena de julho de 2026, derrubou a média para R$ 5,18 o quilo nas praças acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo levantamento do Cepea, divulgado na última quinta-feira (24), a desvalorização acentuada no mês acumulou uma queda de 43,1% no ano para o animal vivo, quando comparada às cotações reais de dezembro de 2025. A carcaça especial também registrou recuo de 36,2% no mesmo período.

O cenário é considerado surpreendente para o setor, que esperava uma demanda firme em 2026, baseada no desempenho observado em 2025. O excesso de oferta interna é reflexo de maiores investimentos realizados pelos produtores no ano passado, o que resultou em um volume de produção mais elevado para este ano.

De acordo com pesquisadores do Cepea, a procura pela carne suína costuma ficar enfraquecida na segunda metade de cada mês devido ao menor poder de compra da população. Além disso, o período de férias escolares reforçou a redução na busca pelo produto, levando as médias a recuarem, mesmo após aumentos registrados no início de julho.

A baixa demanda, somada ao desarranjo da oferta interna, pressionou as margens de lucro do setor. O movimento gerou prejuízos aos carcinicultores e forçou o encerramento das atividades de produtores independentes.

Por que a procura diminuiu?

A redução na procura é explicada pelo ciclo de consumo mensal e pelo fator sazonal das férias. Com o menor poder aquisitivo da população no fim do mês e a mudança de rotina nas férias escolares, a demanda pelo animal vivo e pela carne cai, desequilibrando o mercado.

O momento atual é comparável ao observado em 2022, que foi um dos períodos mais críticos para o mercado. Naquele ano, o pior ponto em São Paulo ocorreu em fevereiro, quando a média era de R$ 5,97 o quilo, em valores reais deflacionados pelo IGP-DI de julho de 2026.

A trajetória de queda em 2026 já havia começado nos primeiros meses do ano. Em fevereiro, os preços médios do suíno vivo registraram recuos de até 20% nas regiões produtoras do interior paulista, impulsionados pela baixa procura da indústria por lotes de animais no mercado independente.

O impacto nos preços foi imediato. Em janeiro de 2026, o animal era cotado a R$ 8,24 o quilo, o que já representava uma baixa de mais de 16% em relação ao início do período e uma desvalorização de 20% quando comparado a fevereiro de 2025, quando o produto era vendido a R$ 8,66 o quilo.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.