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Apostas on-line

Governo anuncia proibição de apostas on-line e estabelece prazo para saque de saldos

Apostadores terão até o dia 5 de outubro para retirar valores das plataformas antes da proibição entrar em vigor.

Por Redação Diário Local

O governo federal anunciou, nesta sexta-feira (25), a proibição das apostas on-line no Brasil. A medida, que será formalizada por meio de uma medida provisória (MP), estabelece que os apostadores terão até o dia 5 de outubro para realizar a retirada de seus saldos das plataformas.

Com o banimento, a devolução integral dos valores depositados pelos usuários deve ocorrer entre os dias 9 e 14 de outubro. Caso surjam dificuldades ou impedimentos para o recebimento, a Caixa Econômica Federal intermediará os processos a partir do dia 14 de outubro.

A decisão ocorre em um momento próximo ao primeiro turno das eleições, marcado para o dia 4 de outubro (sábado). Segundo pesquisas da Secretaria de Comunicação Social (Secom), há apoio da maioria da população a regras mais duras para o setor, com adesão maior entre mulheres e segmentos religiosos.

Cronograma de saída do ar e publicidade

O cronograma determinado pelo governo estabelece que as apostas de fato deixam de ser possíveis nesta sexta-feira (25). No dia 6 de outubro (segunda-feira), as plataformas deverão sair do ar definitivamente, após um período entre 7 e 8 de outubro destinado à conferência de saldos por CPF.

As publicidades das casas de apostas também serão proibidas imediatamente após a publicação da MP. O governo determinou que todas as propagandas, tanto no ambiente físico quanto no digital, sejam removidas até o dia 5 de outubro (domingo).

Na mesma data, também será encerrada a exibição de sinais de patrocínios. A medida visa retirar do alcance do público qualquer estímulo ao setor antes do período eleitoral.

Fiscalização e combate a sites ilegais

Para garantir o cumprimento da norma, o governo reforçará a derrubada de sites ilegais em ações coordenadas com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e com as lojas de aplicativos das grandes empresas de tecnologia (big techs).

A estratégia de fiscalização inclui a proibição de qualquer transferência bancária destinada a apostas, além de varreduras automáticas em sites para identificar plataformas irregulares. O plano prevê também o bloqueio de contas bancárias utilizadas ilegalmente para esse fim.

A Advocacia-Geral da União (AGU) buscará a expropriação de contas de apostas ilegais. O objetivo é destinar os recursos confiscados para o fortalecimento da segurança pública.

Impacto financeiro e reação do setor

O setor de jogos de azar sinalizou que pretende acionar a Justiça contra o banimento. O presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), Carlos Lima, afirmou que a medida pode gerar insegurança jurídica para as empresas que investiram no mercado após a regulamentação.

As empresas argumentam que realizaram investimentos pesados em tecnologia, pessoal e estrutura para atuar no mercado regulado. O setor estima que uma interrupção antecipada das operações possa gerar pedidos de indenização na Justiça que somem dezenas de bilhões de reais.

Desde a regulamentação das apostas de quota fixa em 2023, a União arrecadou cerca de R$ 2,5 bilhões em taxas de outorga. Agora, além da MP, o governo prepara um Projeto de Lei (PL) com regras rigorosas para operadores e publicitários do setor, que será encaminhado ao Congresso Nacional.

Cenário de gastos das famílias

O endurecimento das regras ocorre após dados mostrarem o impacto das apostas nas finanças domésticas. Em 2025, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões em apostas esportivas, segundo o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda e o Centro Internacional Celso Furtado.

No mesmo período, as plataformas movimentaram R$ 350,97 bilhões em transferências realizadas via Pix. O governo tem adotado essa postura de restrição como parte de uma estratégia de regulação do setor após os altos volumes financeiros identificados.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.