Diário Local
Economia

Reajuste do Bolsa Família gera incerteza no Orçamento de 2027 e pode agravar déficit, diz IFI

Aumento de 15% no benefício pode elevar gastos e reduzir espaço para investimentos, segundo a Instituição Fiscal Independente.

Por Redação Diário Local

O reajuste de 15% no Bolsa Família aumenta a incerteza sobre o Orçamento de 2027 e pode agravar o déficit das contas públicas no próximo ano. A análise é da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado.

De acordo com o diretor executivo da IFI, Marcus Pestana, o governo pretende elevar o piso dos pagamentos de R$ 600 para R$ 691, com uma média de R$ 777. O impacto estimado pela equipe econômica é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027.

A proposta do governo é que o reajuste seja bancado por meio de cortes de recursos na Previdência Social, sem que haja aumento no total de despesas do Executivo. Contudo, a IFI alerta que os gastos previdenciários para 2027 podem estar subestimados nas projeções oficiais.

Quais são as divergências nas projeções?

Enquanto o governo enviou o Orçamento de 2027 ao Congresso Nacional com uma previsão de superávit de R$ 18,6 bilhões, a IFI projeta um déficit de R$ 86,1 bilhões. Essa diferença ocorre devido a divergências nas estimativas de arrecadação, crescimento da economia e despesas previstas.

A IFI calcula que o reajuste do Bolsa Família elevará os gastos do programa em R$ 24 bilhões em 2027. Segundo Pestana, a falta de previsibilidade sobre essas despesas pode dificultar a manutenção de investimentos e a redução das taxas de juros.

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que existe uma sobra nos gastos com Previdência que permitirá o remanejamento de recursos para o reajuste. Ele destacou que uma revisão de cadastros do programa também deve gerar economia adicional.

Impacto nos investimentos públicos

Como o Bolsa Família é uma despesa obrigatória, seu aumento reduz a flexibilidade do governo para direcionar verbas para outras áreas. O aumento de gastos rígidos compromete o orçamento destinado a infraestrutura, como transportes, saneamento e energia.

A IFI também aponta outras incertezas no Orçamento de 2027, como a questão do Fundo de Compensação aos Estados pela substituição do IPI pelo Imposto Seletivo e a redução nas transferências para estados e municípios, que passou de 4,7% do PIB em 2026 para 4,1% em 2027.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.