Novas regras do Campo de Marte impõem restrições a prédios em raio de 20 km em São Paulo
Mudança para voos por instrumentos amplia área de restrição de altura em São Paulo e gera preocupação no setor imobiliário.
Por Redação Diário Local
Novas regras de voo no Campo de Marte, em São Paulo, impõem restrições de altura para novos edifícios em um raio de 20 quilômetros do aeroporto. A medida, que visa permitir a operação por instrumentos (IFR), amplia o alcance de construções que precisam de autorização do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), da Força Aérea Brasileira (FAB).
A partir de 15 de setembro (15), o aeroporto passará a operar com o sistema de voo por instrumentos. Desde abril, o perímetro que exige o aval da FAB para construções acima de 45 metros de altura em relação ao terminal aeroviário saltou de 2,5 quilômetros para 20 quilômetros de distância.
O impacto no setor imobiliário
O setor imobiliário expressa preocupação com o aumento nos prazos e custos. Segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), as novas normas podem gerar um custo adicional de até R$ 2,7 bilhões por ano para as companhias. A entidade defende que a solução deve ser construída por diálogo para não prejudicar o planejamento urbano e a geração de empregos.
O presidente-executivo do Secovi-SP, Ely Wertheim, questionou a proporção da restrição, afirmando que a cidade inteira será atingida pelo limite de altura, afetando não apenas prédios, mas hospitais e universidades. De acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, a área da cidade com restrições de construção devido a aeroportos (incluindo Congonhas e Guarulhos) subiu de 64% para 71% do território municipal.
Além disso, o tempo para obter liberações aumentou. Profissionais que auxiliam construtoras no processo junto à Aeronáutica relatam que pedidos que antes levavam três semanas agora podem chegar a quase 60 dias.
Análise técnica e estabilidade
A Pax Aeroportos, concessionária que administra o aeroporto desde 2022, argumenta que a mudança não inviabiliza o desenvolvimento urbano. A empresa baseia o argumento em dados do Decea, que mostram uma estabilidade na taxa de pedidos que exigem análise técnica mais profunda.
Entre julho e 15 de dezembro de 2025, sob o regime de voo visual (VFR), 12% dos pedidos de novos projetos exigiram processos técnicos. Já no período de 16 de dezembro de 2025 a 30 de junho, já sob o regime de voo por instrumentos (IFR), o índice de pedidos que foram para análise técnica foi de 13%.
Para o CEO da Pax Aeroportos, Rogerio Prado, os números comprovam a compatibilidade entre a modernização da operação e a atividade imobiliária na capital paulista.
