Restaurantes nos EUA reduzem porções de carne para enfrentar alta nos custos e inflação
Estabelecimentos adotam porções menores e cortes mais baratos para equilibrar preços e manter o fluxo de clientes em meio à alta nos custos.
Por Redação Diário Local
Restaurantes nos Estados Unidos estão reformulando seus cardápios com a redução do tamanho das porções de carne e a substituição por cortes mais econômicos. A medida busca enfrentar o aumento nos custos de alimentos, mão de obra e seguros, além de tentar manter o fluxo de clientes diante da inflação.
De acordo com uma pesquisa da Associação Nacional de Restaurantes, mais de 80% dos operadores do setor relatam aumento nos custos com insumos. A pressão financeira é agravada pelo fato de que um terço dos empresários afirmou não ter tido lucros no primeiro semestre deste ano, segundo o mesmo levantamento.
Como os restaurantes estão adaptando os pratos?
Para manter o apelo visual e a sensação de custo-benefício, alguns estabelecimentos estão utilizando acompanhamentos para compensar a redução no peso da proteína. No restaurante Copper Club, em Chicago, o peso do hambúrguer foi reduzido de 227 gramas para 205,5 gramas, com a adição de tiras de cebola frita e alface picada.
O proprietário do local, Art Mendoza, explicou que a estratégia busca preservar a satisfação do cliente sem elevar excessivamente os preços. Mendoza também substituiu parte do queijo processado por queijo envelhecido para realçar o sabor e manter a competitividade.
Outra tática adotada por estabelecimentos, como uma churrascaria no sul do Texas, é transformar pratos de consumo individual em opções para compartilhar. Em um caso registrado, um bife tomahawk de 1,02 kg, antes servido individualmente, passou a ser anunciado como uma refeição para duas pessoas, mantendo o mesmo preço.
Substituição de cortes caros por opções baratas
A migração para cortes de carne menos custosos tem sido uma solução comum. O especialista culinário Anil Chacko, consultor da Sysco Corp, aponta que restaurantes estão deixando de lado cortes como filet mignon e New York strip (contrafilé) em favor de alternativas como fraldinha, bavette e flat iron.
Dados do Departamento de Agricultura dos EUA mostram a disparidade de preços: na semana encerrada em 11 de setembro, o ribeye desossado custava pouco acima de US$ 33,00 por quilo, enquanto a fraldinha de mesma qualidade ficava na média de US$ 15,40.
Além do setor de serviços, empresas de refeições pré-embaladas também mudaram a composição de seus produtos. A Farmer’s Fridge, por exemplo, reduziu a quantidade de bife em suas tigelas e incluiu quinoa e grão-de-bico, o que, segundo a empresa, aumentou o teor de proteína em 10% sem precisar reajustar os preços.
