Lula busca apoio na ONU para defender soberania e evitar interferência em eleições
Presidente discursará em Nova York para reforçar apelo contra interferência estrangeira no pleito brasileiro e tratar de temas globais.
Por Redação Diário Local
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (20) para Nova York com o objetivo de defender a soberania nacional e pedir neutralidade estrangeira nas eleições brasileiras. O discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), previsto para a próxima terça-feira (22), deve focar no combate à interferência externa no processo eleitoral do país.
A movimentação do governo ocorre após a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) encaminhar um relatório ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento aponta uma tendência de escalada de pressão e reconfiguração da influência exercida pelos Estados Unidos sobre o Brasil, o que foi classificado pela agência como um nível de "criticidade".
De acordo com as informações da Abin, o relatório cita documentos que indicam a hegemonia dos Estados Unidos na América Latina como uma prioridade do governo de Donald Trump. A expectativa é que o presidente brasileiro utilize o espaço internacional para reforçar o apelo pela não interferência de outros governos nas próximas eleições brasileiras.
O que deve ser tratado no discurso na ONU?
A fala de Lula, que deve durar entre 15 e 20 minutos, também deve abordar o multilateralismo e os efeitos das guerras na economia mundial. O presidente deve tratar especificamente do impacto dos conflitos na produção e no preço dos alimentos, defendendo sempre uma saída diplomática para as disputas globais.
No campo ambiental, o presidente pretende citar a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) e posicionar o Brasil como um defensor de um modelo que combine preservação e crescimento econômico. O discurso deve incluir ainda alertas sobre a corrida armamentista e o controle de recursos naturais estratégicos.
A regulação de plataformas digitais também está na agenda, com foco na proteção de crianças e mulheres, além dos desafios trazidos pela inteligência artificial e referências ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital. Embora não haja reunião bilateral agendada, o Planalto não descarta um encontro informal entre Lula e Donald Trump nos bastidores do evento.
Discussão sobre tarifas comerciais e G20
Além da missão em Nova York, o Brasil terá uma agenda comercial nos Estados Unidos entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro. O chanceler Mauro Vieira e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, participarão da reunião de ministros de Comércio do G20, em Milwaukee.
O encontro deve focar na discussão sobre o "tarifaço" aplicado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. As taxas incluem 25% baseadas em investigações sobre desmatamento e pagamentos digitais, além de uma taxa de 12,5% imposta por suposta falta de controle contra a importação de produtos de trabalho forçado.
