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Economia

Sistema tributário é entrave para 70% dos empresários da indústria, aponta pesquisa

Burocracia e o chamado 'Custo Brasil' são apontados como os principais desafios para o crescimento do setor produtivo.

Por Redação Diário Local

A complexidade do sistema de impostos no Brasil é apontada como o principal desafio para o crescimento das empresas. Segundo a pesquisa Infor Reports 2026, 70% dos empresários industriais consideram a burocracia tributária um entrave para o setor.

O levantamento indica ainda que 64% dos empresários afirmam que o custo de produção no país, conhecido como “Custo Brasil”, apresentou aumento nos últimos anos. Esse cenário impacta a competitividade e a margem de lucro das indústrias, dificultando a disputa no mercado global.

Além da questão tributária, o relatório aponta outros fatores que pressionam o setor. A infraestrutura insuficiente, o custo de capital elevado, a insegurança jurídica e a baixa produtividade também compõem o custo operacional. A falta de mão de obra qualificada foi citada por 62% dos participantes, enquanto dificuldades de financiamento e acesso restrito ao crédito foram apontadas por 27%.

Quais são os impactos do Custo Brasil?

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Custo Brasil chega a R$ 1,7 trilhão por ano, o que equivale a quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse montante afeta a posição do país em rankings de competitividade, colocando o Brasil na última posição entre 18 países analisados, à frente de vizinhos como Argentina, Colômbia, Peru, Chile e México.

A infraestrutura inadequada também gera efeitos diretos na logística, como o aumento do valor do frete, maior tempo de entrega e a necessidade de estoques de segurança mais robustos para garantir a confiabilidade da cadeia. Na parte administrativa, o alto custo para lidar com as regras tributárias pode causar distorções na formação de preços e nas decisões de investimento.

O que esperar da reforma tributária?

A reforma tributária, elaborada para unificar tributos, deve mitigar distorções e melhorar o ambiente de negócios a longo prazo. No entanto, o processo de transição exigirá cautela das companhias. Segundo Waldir Bertolino, vice-presidente e Country Manager da Infor Brasil e Latam, as empresas precisarão investir em revisão de processos, sistemas de gestão integrados em nuvem (ERP) e treinamento de pessoal para evitar altas despesas operacionais.

A mudança de regimes pode influenciar decisões estratégicas sobre localização de fábricas e organização da cadeia de suprimentos, sendo uma transformação que deve levar quase uma década para se consolidar. Como tentativa de apoiar a transição e combater a desindustrialização, o setor conta com o programa Nova Indústria Brasil (NIB), que já destinou R$ 472 bilhões para financiar mais de 168 mil projetos de modernização.

Como a tecnologia e os juros afetam o setor?

O setor busca eficiência por meio da tecnologia. O uso de inteligência artificial no parque industrial saltou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024. Contudo, o relatório aponta que mais de 30% das indústrias nacionais ainda não implementaram tecnologias básicas da Indústria 4.0, e a escassez de mão de obra capacitada é um entrave para essa modernização.

Todo esse movimento de adaptação ocorre em um contexto de juros elevados, o que pode frear investimentos. O custo do capital mais alto e a incerteza econômica fazem com que as empresas avaliem com maior rigor desde a expansão de fábricas até a modernização tecnológica.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.