Paraguai enfrenta falta de energia para atender novas indústrias e empresas interessadas
Demanda de energia pendente chega a 6.300 MW, ultrapassando o volume entregue pela Itaipu ao Brasil.
Por Redação Diário Local
O governo do Paraguai enfrenta um déficit de energia que trava a expansão de sua indústria, com pedidos pendentes de instalação somando 6.300 MW. O volume de demanda represada é superior à quantidade de energia que a usina binacional Itaipu entrega atualmente para o Brasil.
O cenário ocorre após o país vizinho atrair um grande fluxo de multinacionais de origem brasileira, argentina e europeia. Para estimular esses investimentos, o governo paraguaio tem oferecido facilidades para instalações e uma carga tributária reduzida, que chega ao máximo de 15%.
O interesse empresarial é impulsionado pela logística regional, especialmente pelo eixo Chile-China por meio da Rota Bioceânica, via terrestre. Além de marcas internacionais que já possuem filiais no Paraguai, mais de 300 empresas de diversos portes do Brasil estudam a possibilidade de operar no território paraguaio.
A escassez de recursos energéticos tornou-se o principal desafio para o crescimento econômico do país. Sem a oferta de eletricidade necessária para as novas plantas, a instalação das indústrias que planejam se mudar para a região fica comprometida.
Diante da crise de abastecimento, o governo paraguaio já avalia medidas internas para solucionar o gargalo. Entre as opções em análise, está a necessidade de rediscutir o contrato de distribuição da usina binacional Itaipu com o governo do Brasil.
O desafio da demanda industrial
A demanda de 6.300 MW representa um obstáculo crítico para o planejamento industrial paraguaio. O montante solicitado pelas empresas excede o patamar de fornecimento que o Brasil recebe da Itaipu, evidenciando o tamanho do salto de consumo que o país vizinho pretende sustentar.
O movimento de expansão está diretamente ligado à busca por eficiência tributária e acesso a novos mercados globais. A combinação de baixos impostos e o potencial de escoamento pela Rota Bioceânica tem colocado o Paraguai na mira de investidores que buscam diversificar operações na América do Sul.
A solução para o impasse depende agora do equilíbrio entre a capacidade produtiva das usinas e as negociações diplomáticas entre as duas nações. A revisão do contrato de distribuição de energia é vista como o caminho para viabilizar as novas operações industriais previstas para os próximos anos.
