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Economia

Empresas brasileiras buscam novos mercados para enfrentar tarifas de 25% impostas pelos EUA

Estimativa do MDIC aponta que US$ 7,4 bilhões das exportações brasileiras para os Estados Unidos devem ser afetados pelo novo tarifaço.

Por Redação Diário Local

As empresas brasileiras estão buscando alternativas de mercado para reduzir a dependência dos Estados Unidos após o anúncio de tarifas de 25% sobre produtos do Brasil. Uma estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indica que o novo tarifaço deve afetar cerca de 18% das exportações brasileiras para o mercado americano, o equivalente a US$ 7,4 bilhões (R$ 37,7 bilhões).

O setor produtivo destaca que a diversificação de mercados é um processo lento, que exige investimentos e não impede os impactos imediatos sobre o faturamento, o emprego e as exportações. Além da busca por novos compradores, empresários defendem a redução da carga tributária e medidas para conter o avanço de produtos importados no Brasil, visando proteger a indústria nacional.

Quais os impactos nos setores de calçados e móveis?

A instabilidade causada pelas variações nas tarifas americanas atinge diretamente o setor calçadista. Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), afirma que a estratégia de dividir os custos das tarifas com importadores, utilizada no ano passado, tornou-se mais difícil com a nova rodada de cobranças imposta este ano.

O setor moveleiro também apresenta sinais de crise. Segundo Cândida Cervieri, diretora-executiva da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), cerca de 30% das exportações do segmento têm como destino os Estados Unidos. A executiva relata que polos industriais em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais já enfrentam uma forte onda de demissões, com uma estimativa de 10 mil desligamentos desde o ano passado.

A busca por novos parceiros comerciais enfrenta a concorrência global, já que outros países também estão tentando diversificar seus destinos após as medidas impostas pelo governo de Donald Trump. Segundo a Abimóvel, o processo de construção de confiança com novos mercados demanda tempo e características próprias de cada região.

O que a indústria propõe ao governo brasileiro?

Representantes da indústria defendem o diálogo diplomático para tentar reduzir ou retirar as alíquotas. Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), defende a busca por pontos de convergência e menciona a possibilidade de uso da Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil adotar medidas de resposta contra barreiras comerciais impostas por outros blocos ou países.

Em reunião realizada na terça-feira (21), o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, apresentou medidas emergenciais ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Entre as propostas para preservar a competitividade estão o fortalecimento do Reintegra — programa de devolução de tributos pagos na cadeia produtiva —, a criação de um crédito-prêmio à exportação e o regime especial de diferimento de tributos federais.

Outro ponto de preocupação é o crescimento das importações, tanto no comércio tradicional quanto em plataformas de comércio eletrônico internacional. A Abit aponta que a indústria nacional precisa enfrentar o chamado "custo Brasil" para conseguir competir tanto no exterior quanto no mercado interno, que é visto como uma alternativa para compensar as perdas nas exportações.

Entenda as novas tarifas dos EUA

A tarifa adicional de 25% foi confirmada pelo governo americano após investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A medida entrou em vigor nesta quarta-feira (22) e possui uma lista de exceções. O governo brasileiro afirmou que a decisão carece de justificativa econômica e teria motivação política.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, informou que o governo americano deve anunciar novas tarifas para aproximadamente 60 países nos próximos dias. Nestes casos, as alíquotas podem variar entre 10% e 12,5% para nações que, segundo a visão americana, não fiscalizam adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.