Taxação da China sobre carne bovina deve elevar preços no Brasil nos próximos meses
Cota de exportação para o mercado chinês foi estourada em julho, o que deve reduzir abates de bovinos e impactar a oferta interna.
Por Redação Diário Local
A expectativa de uma tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina brasileira vendida para a China deve impactar o preço do produto no mercado interno nos últimos meses de 2026. O governo brasileiro aguarda o anúncio oficial, que deve ocorrer entre setembro e o início de outubro.
O cenário é reflexo do estouro da cota de exportação para o mercado chinês em julho. Os frigoríficos brasileiros ultrapassaram o limite de 1,106 milhão de toneladas definido para 2026 em uma tentativa de embarcar o máximo possível de carga antes do fechamento da cota.
Como a China contabiliza o volume de exportação apenas quando o produto entra em seu território, e o processo de transporte leva cerca de dois meses, a taxação ainda não foi formalizada, mas o efeito no abastecimento já é sentido.
Por que a carne deve encarecer no Brasil?
Embora o escoamento da produção para o mercado interno pudesse sugerir queda nos preços, o efeito esperado é o inverso devido ao perfil dos cortes exportados. A China é a maior cliente da pecuária brasileira e consome grandes quantidades de peças como acém, paleta, peito e músculo, além de partes como bochecha, língua e intestinos.
A lógica do setor é que, para maximizar o lucro, os frigoríficos não devem abater animais para vender apenas cortes nobres, como picanha e filé mignon, deixando o restante do animal sem saída comercial rentável. Com a cota de 2026 esgotada, a tendência é que os abates sejam reduzidos em agosto para que a produção seja programada conforme as novas regras de 2027.
Nesta quarta-feira (5), o cenário de redução de atividades já é visível, com dezenas de frigoríficos tendo concedido férias coletivas aos funcionários após os últimos embarques de julho.
Propostas para evitar a variação de preços
Para evitar que a falta de oferta desequilibre a demanda nacional, o setor pecuarista negocia com o governo uma nova regulamentação para 2027. A proposta prevê que os frigoríficos tenham cotas de importação próprias para o mercado chinês.
O objetivo é que a cota nacional seja cumprida de forma programada ao longo de todo o ano, impedindo que ocorram corridas de embarques que gerem desabastecimento ou oscilações bruscas nos preços para o consumidor brasileiro.
