Taxas de juros futuros sobem com receio sobre agenda econômica de novo governo
Taxas de juros futuros (DIs) operam em alta nesta terça-feira (3) após mercado reagir a possíveis mudanças nas políticas fiscal e monetária.
Por Redação Diário Local
As taxas de juros futuros (DIs) operam em alta na manhã desta terça-feira (3), impulsionadas pelo receio de agentes do mercado financeiro em relação à possível agenda econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O movimento ocorre no retorno do feriado do Dia de Finados e reflete a cautela com as perspectivas fiscais e monetárias do país.
Às 10h55, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) com vencimento para janeiro de 2028 registrava 14,56%, valor superior aos 14,48% observados na sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa para janeiro de 2035 estava em 15,52%, acompanhando a tendência de alta frente aos 15,332% do último pregão.
A pressão sobre os juros ganhou força após informações sobre um possível encontro entre o presidente Lula e o economista André Lara Rezende, um dos criadores do Plano Real, nesta semana. As discussões em torno de novas diretrizes para a condução das políticas fiscal e monetária têm gerado incertezas entre os investidores.
O economista defende uma mudança que inclua a redução programada e gradual da taxa Selic para 7,5% ao ano em um prazo de 12 meses. A proposta busca reduzir a dívida pública e ajustar as contas governamentais sem a necessidade de grandes cortes de gastos públicos.
O plano também sugere o uso de parte das reservas internacionais do Brasil para conter as pressões sobre o real. Contudo, especialistas do setor argumentam que tais medidas podem produzir o efeito contrário ao pretendido, elevando a inflação e impondo riscos às reservas do país.
Gabriel Jardim, CEO da Trade Arena, explicou que a falta de transparência sobre a condução da economia e sobre a regra de gastos faz com que o ajuste ocorra primeiro no câmbio e nos juros de longo prazo. "Enquanto não houver clareza sobre a condução da economia e sobre a regra de gastos, o ajuste aparece primeiro no câmbio e nos juros longos", afirmou o executivo.
O que se espera da decisão do Copom?
Além do cenário fiscal, o mercado monitora a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre os juros, prevista para esta quarta-feira (4). O último relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, indicou que os economistas consultados ainda esperam um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic.
Apesar da expectativa de queda imediata, os projetistas elevaram a previsão para a taxa de juros no final do ano para 13,50%, ante os 13,25% calculados anteriormente. Em paralelo, outra pesquisa apontou a possibilidade de manutenção da Selic no patamar atual de 13,75% durante esta semana.
