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Economia

Tesouro Nacional deve ampliar emissão de títulos com queda dos juros futuros, dizem especialistas

Especialistas preveem novas captações pelo governo após leilão de R$ 33,3 bilhões com redução de prêmios de risco

Por Redação Diário Local

O Tesouro Nacional deve aproveitar a queda dos juros futuros para ampliar, de forma gradual, as emissões de títulos públicos, segundo avaliação de especialistas do mercado financeiro. O cenário de taxas menores abre espaço para novas captações, impulsionado pelo otimismo do mercado após o primeiro turno das eleições presidenciais.

O governo captou R$ 33,3 bilhões com a venda de títulos prefixados na quinta-feira (08), o maior leilão desse tipo realizado desde dezembro de 2020. A operação ocorreu em um momento de redução dos prêmios de risco exigidos pelos investidores, o que favorece a contratação de taxas mais baixas para o financiamento da dívida pública.

Segundo o CEO da Azumi Investimentos, Edgar Araújo, o resultado demonstra que a melhora das condições de mercado favorece o aumento das emissões. Ele avalia que a demanda deve seguir consistente nos próximos leilões, com uma preferência acentuada por títulos com prazos menores.

Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, também projeta que o Tesouro pode realizar novas captações robustas caso a curva de juros mantenha a trajetória de queda. Para o consultor, a melhora nas expectativas permite ao governo aumentar a previsibilidade do custo de financiamento da dívida.

Por que os juros caíram após as eleições?

A queda nos juros futuros está associada ao otimismo dos investidores com o resultado do primeiro turno das eleições, no qual o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Agentes do mercado avaliam que um eventual governo de Flávio Bolsonaro adotaria uma política fiscal mais restritiva e menos expansionista.

Essa expectativa contribuiu para um ajuste rápido das taxas. O movimento de magnitude semelhante ao registrado no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, ocorreu em apenas um pregão, refletindo a rapidez com que o mercado ajustou as projeções diante do cenário eleitoral.

No leilão de quinta-feira (08), o governo ofertou 42 milhões de títulos e vendeu 40,8 milhões. Os papéis prefixados são aqueles que possuem uma taxa de rendimento definida no momento da compra, permanecendo fixa até o vencimento.

Quando os investidores ganham confiança na situação fiscal do país, a percepção de risco diminui. Com isso, há uma maior disposição para emprestar dinheiro ao governo, o que permite ao Tesouro captar recursos a custos mais reduzidos.

Quais são os riscos para a continuidade da queda?

Apesar do cenário favorável, especialistas alertam que a trajetória dos juros depende de fundamentos econômicos concretos. Edgar Araújo destaca que a inflação de setembro, que registrou 0,82%, ficou acima das expectativas e exige cautela por parte dos agentes.

Para o especialista, a manutenção do ritmo de queda dependerá de sinais consistentes de controle de preços e de equilíbrio nas contas públicas. Sem esses fatores, a volatilidade pode retornar ao mercado.

Fábio Murad ressalta que a melhora atual está apoiada principalmente em expectativas políticas, sem necessariamente refletir mudanças nos fundamentos fiscais. Ele cita o crescimento da dívida pública e a rigidez dos gastos como pontos de atenção.

Na visão de Murad, o Tesouro deve aproveitar as oportunidades de financiamento barato sem exercer uma pressão excessiva sobre a demanda. O cenário futuro depende da capacidade de transformar o otimismo político em resultados fiscais reais.

Como se concentrou a demanda pelos títulos?

A procura pelos papéis se concentrou em vencimentos de curto prazo. Quase 80% das Letras do Tesouro Nacional (LTN) ofertadas tinham vencimento para janeiro de 2028 ou julho de 2029.

No caso das Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F), mais de dois terços das vendas foram para papéis com vencimento em janeiro de 2031. A concentração em prazos menores indica que os investidores ainda mantêm uma postura de cautela quanto ao longo prazo.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.