Whirlpool enfrenta queda de vendas e prejuízo com foco em mercado americano
Com estratégia voltada para as Américas, fabricante de eletrodomésticos registra recuo de 7% nas vendas e lida com desaceleração imobiliária.
Por Redação Diário Local
A fabricante de eletrodomésticos Whirlpool enfrenta um cenário de queda nas vendas e prejuízos operacionais após concentrar seus esforços no mercado das Américas. A estratégia de foco regional aumentou a dependência da companhia em relação ao setor imobiliário dos Estados Unidos, que apresenta desaceleração há três anos.
No segundo trimestre deste ano, as vendas líquidas da empresa recuaram quase 7% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado consolidou um prejuízo ajustado de US$ 0,21 por ação, embora os dados atuais mostrem uma evolução positiva quando comparados ao primeiro trimestre do mesmo período.
A mudança de rumo da companhia envolveu o abandono de operações em mercados como a China, o Reino Unido e a Rússia. Em 2025, a divisão norte-americana já respondia por 65% das vendas líquidas da Whirlpool, consolidando o foco no Hemisfério Ocidental.
Por que a estratégia de foco regional gera riscos?
Ao reduzir sua presença global, a Whirlpool ficou mais exposta às flutuações do mercado imobiliário norte-americano. Como o consumo de novos eletrodomésticos costuma estar atrelado a mudanças de residência ou reformas, a queda na movimentação de imóveis afeta diretamente o faturamento da fabricante.
Além disso, a dependência de um único mercado torna a empresa vulnerável a fatores como a alta dos juros. Em 2022, a aquisição da fabricante de trituradores InSinkErator por US$ 3 bilhões elevou a dívida líquida da companhia para mais de US$ 6 bilhões, justamente no início do ciclo de desaceleração imobiliária.
O endividamento levou a empresa a suspender o pagamento de dividendos pela primeira vez em 70 anos e resultou no rebaixamento de sua dívida para o grau especulativo por agências de classificação de risco.
O que a empresa faz para se recuperar?
Para tentar retomar o crescimento, a Whirlpool lançou novas linhas de produtos e implementou uma política de reajuste de preços para compensar a inflação. A estratégia também inclui a redução de custos, que envolveu um corte significativo no quadro global de funcionários nos últimos cinco anos.
A fabricante também conta com o cenário tarifário dos Estados Unidos. A empresa aposta que a tarifa de 25% imposta sobre eletrodomésticos importados obrigará concorrentes estrangeiros a aumentarem seus preços, criando uma vantagem competitiva para a produção local.
Apesar das dificuldades, a companhia afirma que seus dados internos, que abrangem o comércio eletrônico e vendas para construtoras, indicam estabilidade em setores específicos da sua operação.
