Brasil não deve devolver troféus de guerra reivindicados pelo Paraguai, afirmam fontes do governo
Governo paraguaio solicitou restituição de canhões e documentos como reparação após crise diplomática por declarações de Lula.
Por Redação Diário Local
O governo brasileiro não deve atender ao pedido feito pelo governo paraguaio para restituir peças e troféus da Guerra do Paraguai que estão no Brasil. Segundo fontes do governo brasileiro, o assunto não está em discussão, sob o entendimento de que os itens fazem parte do patrimônio histórico do país.
A solicitação paraguaia foi formalizada por meio de uma nota de repúdio enviada ao Brasil. O documento pede a devolução do Canhão Presidente López, do Canhão Cristiano e de outros troféus de guerra, além de cópias de documentos históricos sobre a Guerra da Tríplice Aliança que constam em arquivos da República Federativa do Brasil.
A reivindicação ocorre durante um período de tensão diplomática entre os dois países. O impasse foi desencadeado por declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, durante um evento em São Paulo na última sexta-feira (24), afirmou que o Paraguai decidiu invadir o Brasil ao se referir ao conflito histórico.
Em resposta, a chancelaria de Assunção enviou a nota de repúdio alegando que as falas do presidente brasileiro distorcem a história. O governo paraguaio defende que a devolução das peças seria um gesto de reparação importante para o país.
Como medida de reprimenda diplomática, o governo paraguaio convocou o embaixador brasileiro, José Antonio Marcondes, para prestar esclarecimentos na sede da chancelaria paraguaia. A reunião com o representante ocorreu nesta sexta-feira (31), quando a nota foi entregue formalmente.
O conflito histórico
A Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai, foi o maior conflito armado da história da América do Sul. O embate teve início após a intervenção militar do Império do Brasil na guerra civil uruguaia, movimento que o governo paraguaio interpretou como uma ameaça ao equilíbrio de poder na Bacia do Prata.
O Paraguai declarou guerra ao Brasil e acabou entrando em conflito também com a Argentina e o Uruguai, que formaram a Tríplice Aliança. A guerra terminou em 1870, após cinco anos de combates, deixando o território e a economia paraguaia devastados.
Estimativas vindas do Paraguai apontam que cerca de 50% da população do país morreu durante o conflito. O episódio é considerado um dos maiores traumas da identidade nacional paraguaia devido ao impacto demográfico e territorial sofrido na época.
Situação diplomática
Apesar da convocação do embaixador — ato que na diplomacia serve para transmitir insatisfação oficial —, o corpo diplomático brasileiro minimiza o ocorrido. O governo brasileiro trata o episódio como um "ruído conjuntural" e de caráter temporário.
A avaliação interna é de que a relação bilateral entre Brasil e Paraguai permanece boa, inclusive entre os presidentes de ambas as nações, apesar do incidente provocado pelas recentes referências ao conflito ocorrido no século XIX.
