Brics assina declaração na Índia contra tarifas unilaterais e protecionismo
Chefes de Estado do bloco defendem regras da OMC e criticam práticas de potências globais durante cúpula na Índia.
Por Redação Diário Local
Os chefes de Estado do Brics assinaram, neste sábado (12), na Índia, a Declaração de Nova Délhi, documento que condena a aplicação de tarifas consideradas unilaterais e incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). O texto critica medidas restritivas ao comércio global que violam as normas internacionais.
O encontro contou com a participação do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; do presidente da Rússia, Vladimir Putin; do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa; e do presidente da China, Xi Jinping. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu à reunião, sendo representado pelo chanceler Mauro Vieira.
Lula foi o único chefe de Estado da formação original do grupo que não esteve presente na cúpula. O encontro ocorreu em um cenário de proximidade com as eleições presidenciais brasileiras, que têm o primeiro turno previsto para menos de um mês.
O que o bloco considera ameaça ao comércio
A declaração aprovada pelas economias do bloco identifica práticas que representam riscos ao comércio global. Entre as ameaças listadas estão a aplicação de tarifas elevadas de forma indiscriminada e a interrupção das cadeias globais de suprimentos.
O documento também aponta o uso de objetivos ambientais como pretexto para o protecionismo comercial e a introdução de incertezas nas atividades econômicas e comerciais internacionais. Para enfrentar essas questões, os integrantes estabeleceram um compromisso de fortalecer a capacidade de resposta da OMC a perturbações comerciais.
A posição do grupo converge com a reclamação que o governo brasileiro conduz desde julho contra as tarifas estabelecidas pelos Estados Unidos. O Brasil é alvo de duas tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump: uma de 25%, relacionada a investigações sobre desmatamento e comércio digital, e outra de 12,5%, ligada a apurações sobre trabalho forçado.
Menção ao Brasil e apoio na ONU
O Brasil foi citado diretamente na Declaração de Nova Délhi. No texto, a China e a Rússia reiteraram o apoio ao processo de adesão do país como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, uma reivindicação defendida pelo governo brasileiro.
Além disso, o Brics classificou a realização da COP30, em Belém, como um sucesso. O documento também reconheceu as iniciativas de livre comércio da China para países da África e confirmou que a China assumirá a presidência do bloco na próxima reunião, em 2027.
