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Pesquisa mostra que 76% dos brasileiros acham que ministros do STF têm poder excessivo

Levantamento do Datafolha aponta que a maioria dos entrevistados vê excesso de poder no Supremo e perda de confiança no tribunal.

Por Redação Diário Local

Uma pesquisa divulgada neste sábado (12) aponta que 76% dos entrevistados consideram que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm poder excessivo. O levantamento, realizado pelo Datafolha, revela também que 77% das pessoas acreditam que a confiança na instituição diminuiu em relação ao passado.

Apesar do desgaste na reputação, a Corte ainda é vista como um pilar institucional para a maioria dos brasileiros. Segundo o estudo, 71% dos entrevistados afirmam que o STF é essencial para proteger a democracia no país. Outros 21% discordam da afirmação e 3% não concordam nem discordam.

O levantamento ouviu 2.002 pessoas, com idades entre 16 e mais de 65 anos, entre os dias 8 e nesta quinta-feira (10). A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.

Contexto da crise institucional

O cenário de baixa confiança na Corte ocorre em um período de intensificação de conflitos internos. A crise foi alimentada pela divulgação, em 1º de setembro, de um relatório da Polícia Federal (PF) sobre o caso do banco Master. O documento foi tornado público por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

O relatório traz mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a um contato atribuído pelos investigadores ao ministro Alexandre de Moraes. As mensagens referem-se a encontros e pedidos de orientação diante do avanço das investigações. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já pediu a nulidade do documento.

O embate entre os ministros escalou em 3 de setembro, quando Moraes sustentou haver indícios de irregularidades na atuação de Mendonça, citando, em tese, improbidade administrativa e abuso de autoridade. Com base nisso, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado no inquérito das fake news. O ministro Mendonça reagiu afirmando ter sido alvo de monitoramento ilegal pela PF.

A disputa também atingiu o comando da Polícia Federal. nesta terça-feira (8) (segunda-feira), Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. No dia seguinte (9), o ministro Flávio Dino determinou a reintegração de ambos, decisão que foi posteriormente suspensa pelo presidente do STF, Edson Fachin.

Em manifestação enviada a Fachin nesta sexta-feira (11), o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, negou o monitoramento de Mendonça e afirmou que os relatórios foram produzidos de forma regular. Diante do impasse, Fachin convocou uma sessão extraordinária do plenário para a próxima terça-feira (15).

A sessão terá como objetivo discutir o relatório da PF sobre as mensagens de Vorcaro e o encaminhamento do caso. O presidente do STF também determinou a abertura integral dos documentos vinculados ao caso Master para assegurar que todos os ministros tenham acesso ao acervo antes da votação.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.