Defesa de Leopoldo Luque afirma que médico é 'bode expiatório' em processo pela morte de Maradona
Advogados de Leopoldo Luque contestam acusações de homicídio e alegam que morte de Maradona foi um evento repentino e imprevisível
Por Redação Diário Local
A defesa do neurocirurgião Leopoldo Luque afirmou, nesta quarta-feira (21), que o médico é tratado como um "bode expiatório" no julgamento que investiga a morte de Diego Maradona. Os advogados contestam as acusações de homicídio e sustentam que o falecimento do ex-jogador foi um evento repentino e imprevisível.
O caso refere-se à morte de Maradona, ocorrida em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos. O ex-jogador estava em regime de internação domiciliar em Tigre, ao norte de Buenos Aires, recuperando-se de uma cirurgia para tratar um hematoma subdural realizada três semanas antes.
O Ministério Público solicita uma pena de 12 anos de prisão para Luque, que era médico pessoal de Maradona nos anos que antecederam o óbito. Ele é acusado de homicídio com dolo eventual, crime que pressupõe a consciência de que ações ou omissões poderiam resultar em morte.
Argumentos da defesa
O advogado Roberto Rallín afirmou que a equipe jurídica utilizará provas para fundamentar a defesa, refutando a tese da acusação de que a morte do ex-jogador era evitável. Segundo a defesa, Maradona não demonstrava sinais de alerta que indicassem risco iminente.
Outro advogado de Luque, Francisco Oneto, contestou o relatório de uma junta médica composta por cerca de 20 especialistas. O relatório da junta descreveu o atendimento domiciliar como deficiente e inadequado, citando problemas cardíacos, renais e hepáticos no paciente.
Oneto argumentou que a condição cardíaca de Maradona foi interpretada de forma equivocada e que o coração do atleta havia se recuperado de um episódio sofrido em 2000. Sobre a questão renal, afirmou tratar-se de um quadro assintomático, enquanto defendeu que o estado do fígado do ex-astro estava bom.
Desdobramentos do julgamento
Leopoldo Luque iniciou sua relação médica com Maradona em 2016. Em depoimento ao tribunal de San Isidro, o médico declarou ser inocente e afirmou que tinha uma relação de amizade e confiança com o ídolo argentino.
O julgamento também envolve outros cinco profissionais de saúde, para os quais o Ministério Público pede penas que variam de quatro a 12 anos de prisão. Para um sétimo réu, o pedido foi de absolvição.
A fase de debates deve ser encerrada nesta quinta-feira (22). O tribunal poderá levar meses para proferir a sentença final.
