Cidade canadense corre risco de virar 'fantasma' após tarifas de Donald Trump paralisarem fábrica
Fechamento de fábrica de papel em Témiscaming gera desemprego e queda no valor de imóveis após imposição de taxas pelos EUA
Por Redação Diário Local
A cidade de Témiscaming, no Canadá, corre o risco de se tornar uma cidade fantasma após a paralisação de sua principal fábrica de papel. A interrupção das atividades ocorre em meio à guerra comercial entre o Canadá e os Estados Unidos, após a imposição de novas tarifas pelo presidente Donald Trump.
A unidade, de propriedade da empresa americana RYAM, foi colocada em paralisação por razões econômicas por tempo indeterminado no início de outubro. O fechamento afetou a maioria dos 360 funcionários da planta, que serve como o principal pilar econômico da região há mais de cem anos.
O impacto econômico já é sentido na comunidade local. O valor dos imóveis em Témiscaming apresentou queda abrupta e moradores relatam o aumento de placas de venda de casas. Existe o receio de que a crise provoque uma fuga de profissionais de serviços essenciais, como médicos e trabalhadores de supermercados.
O que causa a crise em Témiscaming?
A crise é resultado direto das taxas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos canadenses. Em agosto, após o fracasso de negociações comerciais, os EUA aplicaram tarifas de 50% sobre cerca de C$ 28 bilhões em produtos do Canadá, incluindo madeira, celulose e papel.
A fábrica de Témiscaming produz papelão para embalagens de alimentos congelados e bilhetes de loteria. Com as barreiras comerciais, a operação tornou-se economicamente inviável para a proprietária, levando à suspensão das atividades e ao desemprego em massa na região.
O setor florestal, que inclui serrarias e empresas de transporte, também enfrenta efeitos em cadeia pela queda na demanda e na produção industrial, afetando a circulação de renda em toda a localidade.
Moradores tentam estratégia de recompra
Para evitar o colapso total, moradores e o sindicato local estão organizando uma coalizão para tentar recomprar a fábrica. A iniciativa tenta repetir o que ocorreu em 1973, quando os trabalhadores e gestores locais se uniram para comprar a empresa e transformá-la na Tembec, uma companhia de propriedade canadense.
Líderes sindicais afirmam que a tentativa de retomada depende de apoio financeiro significativo do governo federal, liderado pelo primeiro-ministro Mark Carney, e do governo de Quebec. Eles argumentam que o setor florestal tem recebido menos atenção estatal do que outros ramos afetados pelas tarifas, como o aço e o setor automobilístico.
O prefeito de Témiscaming, Alain Gauthier, descreveu as tarifas americanas como um golpe contra a produção industrial canadense. Ele defende que o governo federal adote medidas de retaliação, como tarifas sobre a importação de papelão vindo dos Estados Unidos, que atualmente entram no Canadá sem cobrança.
Resposta do governo canadense
O governo canadense informou, por meio de um porta-voz da ministra da Indústria, Mélanie Joly, que disponibilizou C$ 400 milhões para apoiar o setor florestal em áreas rurais e remotas. Além disso, há programas para auxiliar empresas afetadas pelas tarifas a obterem capital de giro.
Sobre a situação específica da fábrica de Témiscaming, o governo afirmou que trabalha com as partes envolvidas para encontrar uma solução viável, enquanto administra os recursos públicos de forma responsável.
