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História

Zoológicos humanos transformaram indígenas e africanos em espetáculo comercial na Europa

Prática de expor pessoas de territórios colonizados em feiras internacionais durou séculos e serviu para fundamentar teorias de hierarquia racial.

Por Redação Diário Local

A prática de expor pessoas de territórios colonizados na África, Ásia e Américas transformou o racismo em espetáculo e serviu para justificar teorias de hierarquia racial ao longo dos séculos. O que começou no século XV como exibições de curiosidades para as cortes reais evoluiu para um modelo comercial e pseudocientífico que fundamentou a expansão imperialista ocidental.

No auge do período colonial, os chamados "zoológicos humanos" organizavam grandes exibições em feiras internacionais. Em cidades como Paris, Londres e Berlim, aldeias inteiras eram reconstituídas para que o público observasse nativos encenando rituais cotidianos, o que consolidava visões estereotipadas e legitimava a dominação sobre esses territórios.

Nos primeiros registros históricos, essas exibições tinham caráter pontual e eram restritas às elites. Um exemplo ocorreu em 1664, quando quatro habitantes da Groenlândia foram levados à corte dinamarquesa por um marinheiro holandês.

Décadas depois, o taitiano conhecido como Omai foi apresentado ao rei George III, em Londres, pelo explorador Joseph Banks. No entanto, com o avanço do colonialismo, a postura de curiosidade deu lugar a uma abordagem institucionalizada e violenta.

O caso de Saartjie Baartman é considerado um dos mais emblemáticos dessa transição. Nascida por volta de 1780, a sul-africana foi levada a Londres em 1810 e exposta em espetáculos públicos devido a características físicas anatômicas.

Após sua morte em situação de extrema pobreza, Baartman tornou-se objeto de análise para teóricos que buscavam categorizar seres humanos biologicamente. Seu esqueleto permaneceu exposto em um museu francês até 1974, sendo devolvido para sepultamento na África do Sul apenas no ano de 2002.

O auge das feiras internacionais

Entre o final do século 19 e as primeiras décadas do século 20, o modelo ganhou escala comercial. Empresários do entretenimento passaram a contratar e transportar grupos inteiros de dançarinos, pastores e guerreiros para viverem em vilas cenográficas que simulavam estilos de vida considerados primitivos.

Estima-se que mais de 35 mil pessoas tenham sido exibidas nesse período, para um público acumulado de 1,4 bilhão de visitantes. As apresentações perderam força após a Segunda Guerra Mundial, com o último registro de reconstrução do gênero ocorrendo na Bélgica, em 1958.

Historiadores e pesquisadores apontam que essas exibições desempenharam um papel central na construção de preconceitos estruturais. Segundo especialistas, o legado dessas práticas ainda persiste no mundo moderno através da consolidação de estigmas sobre povos não europeus.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.