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Memória

Prédio do antigo DOPS pode virar Centro de Memória da Ditadura Militar no Rio de Janeiro

Proposta de transformação do imóvel no Centro do Rio será debatida em seminário nesta quinta-feira (6) com especialistas e poder público.

Por Redação Diário Local

A proposta de transformar o antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), no Centro do Rio de Janeiro, em um Centro de Memória será debatida nesta quinta-feira (06). O tema será o foco de um seminário da campanha “Sem Memória Não Há Democracia”, que reúne especialistas, representantes do poder público e entidades da sociedade civil.

O encontro busca discutir estratégias para a recuperação, preservação e ampliação do acesso ao acervo documental referente à repressão política no Brasil. Os registros são considerados um dos conjuntos mais importantes sobre violações de direitos humanos ocorridas durante o Estado Novo (1937-1945) e a Ditadura Militar (1964-1985).

Localizado na Rua da Relação, o edifício foi inaugurado em 1910 como sede da Repartição Central de Polícia. Ao longo das décadas, o imóvel tornou-se um símbolo da repressão política no país, abrigando a Delegacia Especial de Segurança Política e Social durante o Estado Novo.

Entre 1962 e 1975, o local sediou o DOPS, órgão responsável pela investigação e prisão de opositores do regime militar. O prédio ficou marcado por episódios de interrogatórios, detenções arbitrárias e denúncias de tortura contra presos políticos.

Além do contexto político, o imóvel também foi utilizado para apreensões de objetos ligados a religiões de matriz africana. A prática fazia parte de uma política de perseguição cultural promovida pelo Estado na época.

O que aconteceu com o acervo do prédio?

A discussão sobre o futuro do imóvel ocorre após o início da transferência dos documentos para o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (APERJ). A medida seguiu recomendação do Ministério Público Federal (MPF) após inspeções identificarem problemas de conservação.

Durante um inquérito civil aberto em dezembro de 2025, o MPF encontrou parte da documentação armazenada de forma inadequada. Relatos apontam papéis espalhados pelo chão e dentro de sacos de lixo, o que gerou risco de perda de registros históricos fundamentais.

Para solucionar a situação, foi criado o Grupo de Trabalho DOPS. O grupo é responsável pela identificação, catalogação e preservação do acervo, sob a coordenação técnica do APERJ.

Detalhes do seminário

O seminário será realizado a partir das 15h na sede do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), no bairro do Flamengo. Além da destinação do prédio, o debate abordará políticas públicas voltadas à preservação da memória e dos direitos humanos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.