Alckmin questiona proposta de cortes de Flávio Bolsonaro e cita modelo econômico da Argentina
Vice-presidente afirma que proposta de corte de R$ 200 bilhões carece de clareza sobre a origem dos gastos que serão reduzidos
Por Redação Diário Local
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) questionou, nesta terça-feira (20), a proposta de redução de gastos apresentada pelo candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro. Alckmin afirmou que o plano de cortar R$ 200 bilhões carece de transparência sobre a origem dos recursos e questionou de onde viria o ajuste fiscal.
Em vídeo publicado em suas redes sociais, o vice-presidente declarou que, se o candidato não pretende atingir programas sociais, ele precisa especificar exatamente quais áreas serão afetadas. Segundo Alckmin, a falta de clareza sugere que o candidato ou está omitindo quem perderá com o corte, ou não pretende realizar a redução prometida.
Alckmin criticou o que chamou de intenção da equipe econômica de Flávio Bolsonaro de copiar as políticas adotadas na Argentina, sob o governo de Javier Milei. O vice-presidente utilizou o modelo do país vizinho como exemplo de medidas que impactam direitos de trabalhadores e beneficiários de programas sociais.
De acordo com o vice-presidente, o governo argentino cortou o aumento do salário mínimo acima da inflação e desvinculou o reajuste das aposentadorias em relação ao salário dos trabalhadores da ativa. Na prática, isso faz com que o aumento recebido pelos trabalhadores não seja repassado aos aposentados.
Críticas ao modelo de Javier Milei
O vice-presidente destacou ainda que a gestão de Milei implementou mudanças que dificultam o acesso ao seguro-desemprego e diminuíram o valor das indenizações pagas aos trabalhadores. Alckmin relacionou essas medidas ao plano econômico de Flávio Bolsonaro, que tem sido alvo de críticas por sua orientação restritiva.
Alckmin pontuou que o programa de governo do candidato do PL prevê uma política econômica baseada no exemplo argentino. Ele mencionou que houve, na Argentina, o esvaziamento de programas que realizam a distribuição gratuita de medicamentos e uma redução no número de beneficiários atendidos.
A coordenação do programa econômico de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, já havia manifestado apoio às políticas de restrição fiscal adotadas na Argentina. O embate ocorre em meio às movimentações da campanha para as eleições de 2026.
O candidato do PL defende a redução drástica de despesas públicas como pauta central de sua plataforma, mas, segundo Alckmin, não detalha as fontes de economia pretendidas para atingir o montante de R$ 200 bilhões.
