Davi Alcolumbre e governo Lula enfrentam desgaste em semestre de derrotas no Senado
Relação entre o presidente da Casa e o Planalto foi marcada pela rejeição de indicado ao STF e travamento de pautas prioritárias.
Por Davy Albuquerque
O Senado Federal encerra o primeiro semestre de 2026 sob um cenário de desgaste na relação entre o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O período foi marcado por derrotas do governo no plenário e pelo travamento de pautas prioritárias do Planalto.
Um dos episódios mais significativos de tensão ocorreu em 29 de abril (29), quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). A derrota aconteceu após o presidente da Casa atuar junto a senadores aliados para garantir o voto contrário à indicação do Executivo.
Além da disputa pela composição do STF, a tramitação de propostas fundamentais para a agenda do governo federal foi afetada. Matérias como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, o Projeto de Lei dos Minerais Críticos e a PEC que trata do fim da escala 6x1 seguem sem despacho pela presidência do Senado.
O que impede o avanço de pautas prioritárias?
A PEC que prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, aprovada pela Câmara dos Deputados em maio, encontra-se parada no Senado. O presidente da Casa tem defendido que o Legislativo não deve atuar como mero reprodutor das medidas enviadas pelo Congresso ou pelo Executivo, afirmando que é necessário um tempo razoável para deliberação.
Enquanto o texto não avança para as comissões, a presidência do Senado tem realizado reuniões com setores empresariais e sindicais. O impasse gerou críticas de parlamentares aliados ao governo, levando a Presidência do Senado a emitir nota afirmando que a definição da pauta é prerrogativa constitucional e não deve sofrer pressões político-eleitorais.
Impacto nas contas públicas
O semestre também foi caracterizado pelo avanço de propostas com potencial impacto nas contas federais, conhecidas como 'pautas-bomba'. Em junho, o Senado deu andamento a projetos como a renegociação de dívidas rurais, o reajuste de pisos salariais para médicos e dentistas, e a aposentadoria especial para agentes de saúde.
Estudos apontam que essas medidas podem gerar um custo de R$ 250 bilhões em um período de dez anos. A equipe econômica do governo tentou negociar o controle dessas propostas com a presidência da Casa, mas não obteve sucesso nas tratativas.
Para o segundo semestre, o cenário de articulação política permanece dividido. Há diferentes interpretações dentro do governo sobre a disposição de Alcolumbre em retomar pautas do Executivo ou manter a postura de resistência observada nos últimos meses.
