Hugo Motta encerra semestre mais próximo de Lula e consolida força na Câmara dos Deputados
Presidente da Casa encerra semestre com apoio de 275 deputados e articula pautas de segurança e fim da escala 6x1
Por Davy Albuquerque
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encerra o primeiro semestre de 2026 com um cenário político fortalecido e em maior proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após enfrentar críticas e desgastes no primeiro ano de gestão, o parlamentar consolidou uma base de apoio que reúne cerca de 275 deputados.
A recomposição da sustentação política de Motta conta com o respaldo de líderes de partidos como MDB, PP, União Brasil e Republicanos. Esse movimento ocorreu simultaneamente ao estreitamento de relações com o Palácio do Planalto, evidenciado por participações em agendas oficiais e negociações sobre prioridades do Executivo no Congresso.
Principais pautas aprovadas no semestre
O calendário legislativo do semestre foi marcado por temas de segurança pública. Em fevereiro, a Câmara aprovou a terceira versão do Projeto de Lei (PL) Antifacção, proposta originária do Ministério da Justiça. A matéria passou por modificações na Câmara, incluindo alterações feitas pelo relator Guilherme Derrite (PP-SP).
No mês seguinte, a Casa concluiu a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Por articulação de Motta, o texto foi aprovado sem a inclusão de um referendo sobre a redução da maioridade penal. A PEC estabelece o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e amplia as competências da União no combate ao crime organizado.
A tramitação do fim da escala 6x1
Outro marco da gestão foi a aprovação da PEC que estabelece o fim da escala 6x1, reduzindo a jornada semanal de 44 para 40 horas. A proposta teve uma tramitação de pouco mais de 80 dias, sendo aprovada pelo plenário em 27 de maio (27) com ampla maioria de votos.
Para viabilizar o texto, Motta gerenciou divergências com o governo. Em 14 de abril (14), durante encontro no Palácio do Planalto, o presidente Lula defendeu um projeto próprio do Executivo, enquanto Motta priorizou a PEC já em curso na Câmara. Como resultado, a comissão especial para analisar o tema foi presidida por Alencar Santana (PT-SP), aproximando o governo da condução da matéria.
Em junho, o governo retirou a urgência de um projeto próprio sobre o tema como parte de um acordo com o presidente da Câmara. O objetivo do entendimento foi conter, no Congresso, propostas que apresentassem alto impacto fiscal.
