Diário Local
Auditoria

Auditorias encontram cursos de R$ 7,6 milhões com 90% de carga horária zerada no Rio

Levantamentos em 30 contratos do governo estadual apontam gastos excessivos em cursos on-line, livros e manutenção de praças.

Por Redação Diário Local

Auditorias realizadas em 30 contratos do governo do estado do Rio de Janeiro apontaram irregularidades em gastos que somam R$ 2,6 bilhões. O levantamento identificou problemas em diversas áreas, desde a contratação de cursos on-line com carga horária inexistente até aumentos orçamentários sem justificativa técnica.

Um dos casos mais emblemáticos envolve a Secretaria Extraordinária de Representação do Governo em Brasília (SERGB). A pasta contratou, sem processo de licitação, o Instituto NTC do Brasil Ltda. para ministrar quatro seminários on-line por R$ 7.660.800. Apesar de haver 4.800 inscritos, os auditores descobriram que mais de 90% dos participantes tiveram a carga horária zerada, e apenas nove pessoas foram consideradas aptas à certificação.

A Secretaria de Governo também foi alvo de análise em dois contratos de compra de livros que totalizam R$ 153,9 milhões. Entre os itens, destaca-se a aquisição de 100 mil kits sobre os riscos do álcool ao volante por R$ 25,7 milhões. A auditoria apontou que uma proposta anterior oferecia o mesmo material por R$ 12,9 milhões e que grande parte dos livros foi encontrada estocada em um depósito.

No Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio (Iterj), responsável pela regularização fundiária, o orçamento apresentou uma alta de mil por cento em um ano. Os dados mostram que o montante saltou de R$ 9,2 milhões em 2021 para R$ 101,4 milhões em 2022. O relatório destaca ainda que metade do gasto total do instituto foi concentrada em uma única empresa.

No Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ), foi identificado um contrato de R$ 36,3 milhões para o transporte de escória de aço para obras de pavimentação. A quantidade de material contratada subiu 275%, passando de 200 mil para 750 mil toneladas sem justificativa técnica nos autos. A empresa vencedora já havia sido flagrada pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) cobrando 70% acima do preço de mercado em contrato anterior.

Na área da segurança pública, a Secretaria estadual de Polícia Penal prorrogou um contrato emergencial de R$ 19,3 milhões para a alimentação de presos em Campos dos Goytacazes. O serviço, que deveria ter sido licitado há anos, apresenta indícios de irregularidades no processo licitatório atual. A proposta vencedora coincidiu exatamente com o valor de outra concorrente, o que sugere uma possível combinação entre os licitantes.

A nova licitação para o fornecimento das refeições prisionais projeta um aumento expressivo nos custos para o Estado. O valor diário por refeição deve subir de R$ 15,45 para R$ 27,84, o que representa uma alta de até 80% no preço pago pela alimentação dos detentos.

O relatório detalhado sobre as auditorias e os contratos sob suspeita foi encaminhado ao Ministério Público para as providências cabíveis. Os documentos cruzam dados de diversos órgãos estaduais para mapear as inconsistências nos repasses de recursos públicos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.