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Opinião

Azor Lopes da Silva Júnior defende diálogo e razão para superar divisão entre direita e esquerda

Em texto sobre virtude e livre-arbítrio, advogado e professor defende que o diálogo deve substituir a ideologia para o bem comum.

Por Davy Albuquerque

O advogado, professor de direito e coronel da Polícia Militar Azor Lopes da Silva Júnior defende que o diálogo e a razão devem prevalecer sobre as divisões ideológicas entre direita e esquerda para atingir o bem comum. Em análise sobre virtude e livre-arbítrio, o autor propõe que a política e a convivência social demandam o equilíbrio entre o desejo de progresso e a manutenção de valores.

Utilizando o pensamento de Aristóteles, especialmente a obra "Ética a Nicômaco", o autor questiona as definições rígidas de grupos políticos. Para ele, não é virtuoso conservar sistemas ou hábitos prejudiciais, assim como também não é positivo fechar-se para mudanças de paradigmas fundamentais.

Silva Júnior argumenta que, diferentemente de comportamentos instintivos, os seres humanos agem por meio de escolhas deliberadas. Ele defende que a sabedoria consiste em buscar o "meio-termo" entre vícios, evitando tanto o excesso quanto a deficiência na condução das decisões cotidianas.

O autor destaca que, por ser uma atividade humana, a política acaba sendo uma expressão tanto de virtudes quanto de vícios inerentes à condição social. Por esse motivo, ele afirma que não se deve esperar que agremiações políticas representem um estado ideal de perfeição ou de caos absoluto.

Por que o diálogo é necessário?

Para o especialista, a construção de consensos depende da capacidade de transformar adversários em parceiros de debate. Ele utiliza a metáfora de um tabuleiro de xadrez para explicar que as diferentes visões políticas são apenas métodos distintos buscando um mesmo objetivo final.

O texto reforça que a ruptura com preconceitos constitui o primeiro passo indispensável para o diálogo real. Segundo o autor, o progresso só ocorre quando a ideologia cede espaço à razão, permitindo que tanto maiorias quanto minorias sejam contempladas nas decisões.

Ao defender a integração entre conservadores e progressistas, o autor aponta que o equilíbrio reside em conservar virtudes enquanto se mantém o desejo de evolução. Esse cenário exigiria o respeito ao livre-arbítrio e o desapego à busca desenfreada pelo poder.

Por fim, Silva Júnior adverte sobre os riscos de uma postura passiva ou de não acolher a sabedoria alheia. Ele conclui que a sabedoria prática é o que define um personagem de bom caráter, capaz de evitar o que o filósofo Aristóteles descreveu como uma existência sem utilidade social.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.