Campanha de Lula propõe digitalização do SUS e expansão da produção nacional de fármacos
Proposta de governo prevê investimentos em tecnologia da informação, fortalecimento da indústria nacional e foco na atenção primária.
Por Redação Diário Local
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva propõe a transformação do Sistema Único de Saúde (SUS) em um modelo "inteligente, robusto e conectado". O plano de governo para a área da saúde prevê investimentos em tecnologia da informação, qualificação de gestores e maior controle para reduzir o desperdício de recursos públicos.
As diretrizes foram apresentadas nesta quinta-feira (24) durante evento com entidades da indústria da saúde em São Paulo. Segundo Nilton Pereira Junior, representante da candidatura, a digitalização do sistema, por meio do SUS Digital, é uma das prioridades para melhorar a fiscalização do uso de verbas.
Como será a estratégia para a indústria e o abastecimento?
A proposta busca aumentar a soberania nacional no setor farmacêutico. A meta é elevar de 40% para 70% a participação da produção brasileira no abastecimento do SUS. Atualmente, cerca de 60% dos insumos necessários ao sistema têm origem no exterior.
Para alcançar o objetivo, o governo pretende utilizar as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs). Atualmente, existem 31 parcerias em vigor entre instituições privadas e laboratórios públicos, como o Instituto Butantan, a Fiocruz, Bio-Manguinhos e a Hemobrás.
Como exemplo de avanço, a campanha citou a retomada da produção de insulina glargina no país por meio de uma parceria entre o Estado de Minas Gerais e a iniciativa privada.
O que muda na atenção primária e na regulação?
A expansão da atenção primária é outro eixo central. De acordo com a proposta, o orçamento federal destinado à área cresceu 70% entre 2023 e 2026, em relação ao valor de 2022. O objetivo é garantir que entre 80% e 90% da população tenha acesso a uma equipe de saúde da família próxima de sua residência.
No campo da regulação, o plano prevê o fortalecimento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A proposta menciona a implementação de softwares e o uso de inteligência artificial para otimizar a análise de processos, além da criação de novas vagas pelo programa Agora Tem Especialistas.
Na pesquisa clínica, o governo busca consolidar a ascensão do Brasil no ranking mundial de produção científica. O país saltou da 18ª para a 12ª posição entre 2022 e 2026, e a meta para o próximo período é atingir o grupo dos 10 primeiros colocados.
Quais são as prioridades para os primeiros 100 dias?
Em caso de vitória, a campanha elencou três frentes principais de atuação imediata. A primeira é a redução das filas para atendimento especializado, com foco na instalação de centros de tratamento oncológico completos em todas as macrorregiões de saúde do país.
A segunda prioridade foca na saúde da mulher e do idoso, prevendo a ampliação de maternidades, centros da mulher e o acesso a medicamentos como o implante contraceptivo Implanon.
A terceira frente concentra-se no complexo produtivo da saúde, com a expansão das parcerias de desenvolvimento e a realização de compras públicas de equipamentos médicos, como aparelhos de ressonância magnética e tomógrafos.
