Boulos critica trabalho de Galípolo no Banco Central e questiona autonomia da autoridade monetária
Ministro da Secretaria Geral da Presidência critica ritmo de queda dos juros e afirma que autonomia do BC gera problema para a democracia
Por Redação Diário Local
O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou como “decepcionante” o trabalho do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e criticou o ritmo de redução da taxa básica de juros. A declaração ocorreu em entrevista concedida nesta sexta-feira (4).
Segundo o ministro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperava uma política de redução de juros quando indicou Galípolo para o comando da autoridade monetária. Boulos afirmou que a velocidade atual de queda da taxa é insuficiente.
Por que o ministro critica o mandato do Banco Central?
Boulos defendeu que o Banco Central do Brasil deveria adotar um mandato múltiplo, similar ao modelo do Federal Reserve (FED), o banco central dos Estados Unidos. Atualmente, a instituição tem como foco o controle da inflação.
Na visão do ministro, o modelo americano permite monitorar tanto a estabilidade de preços quanto o nível de emprego. Ele argumentou que, se o Brasil tivesse um mandato que envolvesse o combate ao desemprego, a leitura sobre a taxa de juros poderia ser diferente.
O ministro também criticou a autonomia do Banco Central, implementada no governo de Jair Bolsonaro. Para ele, o formato atual gera um problema para a democracia, ao limitar a incidência das decisões políticas e do voto popular sobre a condução da economia.
Como deve ser feito o ajuste fiscal?
Ao tratar de medidas para o controle da dívida pública, Boulos rejeitou a ideia de cortes em políticas sociais ou em serviços como saúde e educação. Ele defendeu que o ajuste deve focar em benefícios tributários e em setores de maior renda.
O ministro sugeriu que o debate sobre ajuste fiscal deveria incluir as desonerações e os grandes benefícios fiscais, como os concedidos ao agronegócio. Ele também destacou o peso dos juros da dívida pública, que representam um gasto de quase R$ 1 trilhão por ano.
Sobre a trajetória da dívida brasileira, Boulos rejeitou a avaliação de que ela esteja fora de controle. O ministro comparou os níveis de endividamento do Brasil com os de países como Japão, Itália e Estados Unidos, questionando os critérios utilizados para classificar a dívida nacional como explosiva.
