Flávio Bolsonaro nega questionar sistema eleitoral após citar origem de urnas
Senador afirmou em evento que urnas brasileiras têm origem em empresa venezuelana, informação que o TSE já desmentiu.
Por Redação Diário Local
O senador Flávio Bolsonaro negou, em nota, ter colocado em dúvida o processo eleitoral brasileiro. A declaração ocorre após o parlamentar afirmar, em um evento em Brasília nesta terça-feira (21), que as urnas eletrônicas utilizadas no país teriam origem na empresa venezuelana Smartmatic.
Em seu comunicado, o senador e pré-candidato à Presidência da República afirmou que o convite para a presença de observadores internacionais é uma prática de diversas democracias e que serve para reforçar a transparência do sistema de votação.
O evento "Debatendo o Brasil", realizado nesta terça-feira (21), reuniu membros do corpo diplomático de 42 países, incluindo representantes de Estados Unidos, Israel, Reino Unido, África do Sul, Austrália, Paraguai, União Europeia e Alemanha.
Relação entre urnas e Smartmatic
Durante o discurso, Flávio Bolsonaro citou a empresa Smartmatic, alegando que muitas das máquinas utilizadas nas eleições brasileiras possuem a mesma origem da companhia venezuelana. A afirmação baseou-se em menções a documentos da CIA que levantam suspeitas sobre o processo eleitoral na Venezuela.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reafirmou que não existe relação entre as urnas eletrônicas brasileiras e a Smartmatic no que diz respeito à programação ou operação do equipamento. O tribunal esclareceu que as urnas são projetadas por técnicos da própria Justiça Eleitoral e produzidas por empresas selecionadas em processos licitatórios públicos.
A Smartmatic possui contratos com a Justiça Eleitoral brasileira, mas estes são destinados à prestação de serviços de conexão de voz e dados. Em licitação realizada para a fabricação de urnas para as eleições de 2020, a empresa venezuelana não venceu a disputa.
Contexto sobre o sistema eleitoral
O parlamentar também fez referência ao episódio envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se tornou inelegível após uma reunião com embaixadores em 2022. Na ocasião, o ex-presidente realizou ataques ao sistema eleitoral brasileiro.
Flávio Bolsonaro argumentou que o episódio visava apenas manifestar preocupações sobre a transparência e segurança do sistema para que embaixadores levassem o tema aos seus países. O TSE, contudo, entendeu que o ex-presidente praticou abuso de poder político ao difundir informações falsas sobre as urnas eletrônicas.
