Imprensa internacional repercute cancelamento de debate presidencial da TV Globo
Reuters, Al Jazeera e El Mundo noticiaram as desistências de Lula e Flávio Bolsonaro e as decisões judiciais que motivaram o cancelamento.
Por Redação Diário Local
A imprensa internacional repercutiu, nesta sexta-feira (2), o cancelamento do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo na noite de quinta-feira (1).
Agências e veículos de comunicação estrangeiros, como Reuters, Al Jazeera, Ansa e o jornal espanhol El Mundo, noticiaram as desistências do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro, além das decisões judiciais que provocaram a alteração das regras do encontro.
A agência Reuters informou que Lula e Flávio não participaram do último debate televisivo antes do primeiro turno. Segundo a publicação, o cancelamento ocorreu após decisões judiciais de última hora que modificaram as regras do programa, classificando o evento como uma das últimas chances de os candidatos alcançarem os eleitores antes da votação.
O que motivou o cancelamento
A TV Globo justificou o cancelamento do debate alegando "insegurança jurídica" e interferência indevida na liberdade dos veículos de imprensa de organizar seus próprios encontros eleitorais. A decisão foi tomada após uma série de movimentações judiciais entre quarta-feira (30) e quinta-feira (1).
No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente do órgão, Kassio Nunes Marques, negou o pedido do partido Missão para que o candidato Renan Santos ocupasse a vaga aberta pela desistência de Lula. Já a magistrada Estela Aranha determinou que a emissora não exibisse um púlpito vazio e proibiu que candidatos fizessem perguntas dirigidas ao presidente caso ele estivesse ausente.
No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes determinou a participação de Renan no debate. Diante do impasse gerado pelas decisões, a emissora optou por não realizar o programa.
Repercussão de veículos estrangeiros
A agência italiana Ansa registrou que esta é a primeira vez, desde a redemocratização em 1985, que um debate presidencial da emissora Globo é cancelado. Em outro texto, a Ansa repercutiu a justificativa de Lula, que classificou o modelo proposto para o debate como "infrutífero".
O jornal El Mundo apresentou o episódio como parte de um cenário de caos na fase final da eleição brasileira, destacando a sequência de decisões judiciais e desistências. Já a Al Jazeera, emissora do Catar, informou que os dois principais candidatos não participaram do confronto direto que ocorreria antes do primeiro turno.
