Jurista que pediu impeachment de Dilma critica Flávio Bolsonaro e alerta para riscos democráticos
Miguel Reale Júnior, autor do pedido de impeachment de Dilma, afirma que eleição de senador pode trazer retrocessos institucionais
Por Redação Diário Local
O jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, afirmou que a possível eleição de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República pode resultar em retrocessos e riscos institucionais para o Brasil. A declaração ocorre às vésperas do segundo turno, que acontece neste domingo (25).
Reale Júnior criticou o histórico do senador, que tem 45% das intenções de voto segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21), contra 44% do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O jurista apontou que o parlamentar possui uma trajetória marcada por elogios à ditadura militar e por homenagens a figuras ligadas à milícia no Rio de Janeiro.
Conforme o jurista, o mandato do senador como deputado estadual fluminense foi marcado por baixa produtividade, com apenas dois projetos aprovados em sete anos, os quais ainda tramitam na Câmara dos Deputados.
Quais são os riscos apontados pelo jurista?
Para Miguel Reale Júnior, a força política que o PL deve ter no Congresso Nacional na próxima legislatura — com 121 deputados e 28 senadores — pode facilitar ações que comprometam a soberania nacional. O jurista expressou preocupação com o possível favorecimento de interesses estrangeiros em setores como petróleo e terras raras.
Ele também mencionou o risco de uma desregulação das instituições de controle e retrocessos no plano cultural. Segundo Reale, um Congresso possivelmente submisso poderia facilitar a imposição de restrições a benefícios sociais durante um eventual mandato de Flávio Bolsonaro.
O jurista ressaltou que, diferentemente do período de Jair Bolsonaro, quando houve resistência do Supremo Tribunal Federal e do Congresso, o cenário atual de bancadas amplas para o PL pode alterar essa dinâmica de freios e contrapesos.
O posicionamento sobre o atual governo
Ao analisar o cenário político, Reale Júnior também comentou a atuação do Partido dos Trabalhadores (PT). Ele reconheceu que o partido cometeu erros na condução econômica e na ocupação de espaços políticos desde o impeachment de Dilma Rousseff.
No entanto, o advogado defendeu que, ao contrário de outros movimentos, o PT não representou uma ameaça direta às liberdades democráticas ou tentativa de golpe de Estado. Ele reforçou seu apoio à reeleição de Lula, tendo assinado documentos de apoio e publicado mensagens em redes sociais em defesa do atual governo.
