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Segurança

MP-MS denuncia 23 pessoas por esquema que desviava drogas apreendidas para venda a traficantes

Denúncia aponta que criminosos e policiais desviavam drogas da Polícia Civil para revenda; cinco mulheres faziam a movimentação financeira.

Por Redação Diário Local

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MP-MS) denunciou 23 pessoas por participação em uma organização criminosa acusada de desviar drogas apreendidas pela Polícia Civil para revendê-las a traficantes. A denúncia, apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), detalha um esquema que envolvia familiares e policiais.

Entre os denunciados estão cinco mulheres que atuavam no núcleo financeiro do grupo para movimentar o dinheiro obtido com a venda das drogas. Valdenice da Silva Gois, Ana Carolina da Silva dos Santos, Jéssica da Silva dos Santos e Rayane Luiz Vieira, identificada como companheira de Lucas da Silva dos Santos, estão no grupo. A quinta mulher citada é Lavinia Carvalho da Luz, acusada de realizar movimentações bancárias.

Segundo os investigadores, Lucas da Silva dos Santos atuava como um dos principais articuladores, utilizando familiares e outros integrantes para receber, transferir e distribuir os valores. O uso de diferentes contas bancárias era o mecanismo utilizado para tentar ocultar a origem do dinheiro e dificultar a identificação dos destinatários.

Como funcionava a movimentação financeira?

A investigação identificou transferências expressivas entre maio e outubro de 2024. Em um dos registros, Lavinia Carvalho da Luz transferiu R$ 1.318.295,92 para contas de Lucas da Silva dos Santos e da empresa L R Obras e Construções, em 21 operações realizadas entre 17 de maio e 15 de outubro de 2024.

O período coincide com negociações de um carregamento de 643 quilos de cocaína que havia sido apreendido pela Polícia Civil. O levantamento também detectou o caminho inverso, com transferências de Lucas e da empresa mencionada para a conta de Lavinia, totalizando R$ 238.473,96 em 44 operações.

Além disso, foram registradas movimentações de R$ 314.308,40 entre Rayane Luiz Vieira e Lavinia. O núcleo financeiro, que também incluía Matheus Gabriel Machado Bezerra e Wesley Benites Matos Pereira Duarte, atuava sob o comando de Lucas para realizar as transações financeiras.

Divisão de tarefas no esquema

Conforme a denúncia, a organização mantinha uma estrutura de tarefas divididas. Policiais civis são acusados de utilizar as funções para desviar drogas durante as operações. Outros membros eram responsáveis por identificar carregamentos, negociar com traficantes e realizar o armazenamento e a comercialização dos produtos.

Lucas da Silva dos Santos exercia o papel de intermediário, negociando o fornecimento das drogas e organizando os pagamentos, além de repassar informações sobre possíveis interceptações de carregamentos. Um dos episódios citados envolve a venda de 30 quilos de pasta-base de cocaína, apreendidos pela Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) em novembro de 2022, por R$ 116 mil.

Próximos passos da investigação

A Operação Infiltrados, que originou a denúncia, foi deflagrada em 24 de setembro deste ano. O Ministério Público sustenta que o esquema operou, ao menos, entre 2021 e 2026, contando com a participação de policiais das forças civis e militares, além de um policial penal.

Além da responsabilização criminal, o MP-MS pediu o pagamento de R$ 10 milhões em indenização por danos morais coletivos e a perda dos cargos públicos dos agentes acusados. A defesa de Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, um dos policiais citados, afirmou que ele provará sua inocência e que não participou de práticas ilícitas.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.