Lula busca virada contra Flávio Bolsonaro em segundo turno de eleições presidenciais acirrado
Disputa entre o atual presidente e o filho de Jair Bolsonaro é a mais acirrada desde o retorno da democracia em 1985.
Por Redação Diário Local
O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, busca uma virada no segundo turno das eleições presidenciais contra Flávio Bolsonaro. A disputa, que ocorre neste domingo (25), é considerada a mais acirrada desde o retorno da democracia ao Brasil, em 1985.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Lula obteve 45% dos votos, enquanto o rival Flávio Bolsonaro alcançou 47%. Para tentar reverter o resultado, o governo tem adotado pautas de apelo popular, como a pressão no Congresso para reduzir a semana de trabalho de 44 para 40 horas, sem redução salarial.
Além disso, a campanha do atual presidente incluiu promessas de gastos, como o perdão de dívidas fiscais federais para profissionais autônomos e a distribuição de R$ 5 mil para um milhão deles. O governo também comprometeu-se com a gratuidade do transporte público nos fins de semana.
Quais os custos das promessas de campanha?
Segundo a Instituição Fiscal Independente, órgão de pesquisa vinculado ao Senado, o conjunto de medidas anunciadas pode custar ao governo até R$ 298,4 bilhões (US$ 58 bilhões) até o final de 2027. Esse montante representa mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) do País.
As medidas incluem ainda o aumento no principal programa de transferência de renda para famílias de baixa renda, a isenção de imposto de renda para a classe média baixa e a proibição de empresas de jogos de azar. Essas propostas têm ajudado Lula a recuperar terreno nas pesquisas, especialmente entre o eleitorado feminino.
Apesar da reação, o cenário permanece desafiador. O atual presidente enfrenta o avanço do conservadorismo e a mudança no perfil do trabalhador brasileiro, com o salto de trabalhadores autônomos de menos de 1 milhão em 2010 para 15 milhões nos registros atuais.
O cenário de disputa e as projeções
As pesquisas mais recentes mostram os dois candidatos empatados, embora o cenário seja de incerteza. Após a votação de 10 de outubro, empresas de apostas chegaram a dobrar as chances de vitória de Lula, mas o candidato de direita ainda mantém vantagem em algumas projeções.
O analisador eleitoral Le Millénaire estima que as chances de vitória de Flávio Bolsonaro são de 82%. O candidato de direita também tem reagido, como ao votar a favor da redução da jornada de trabalho, medida que anteriormente criticava.
A disputa também reflete divisões regionais e sociais, como o desafio de conquistar estados como Minas Gerais, onde Lula perdeu por cinco pontos percentuais no primeiro turno. O crescimento do segmento evangélico e de valores conservadores também é apontado como um fator de resistência à esquerda.
