Lula e Xi Jinping tratam de inteligência artificial e minerais críticos em conversa por telefone
Em chamada com duração de mais de uma hora, os presidentes debateram cooperação tecnológica e governança global.
Por Redação Diário Local
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente chinês, Xi Jinping, neste domingo (26), sobre a cooperação entre Brasil e China em inteligência artificial (IA) e minerais críticos. A chamada, que durou mais de uma hora, também abordou temas globais como a governança da Organização das Nações Unidas (ONU) e o conflito no Oriente Médio, informou o Itamaraty.
O diálogo entre os líderes ocorreu em um momento de pressão econômica sobre o Brasil, após os Estados Unidos implementarem duas tarifas contra a economia brasileira na última semana. Embora a nota oficial do Itamaraty não cite a questão dos Estados Unidos, a conversa entre Lula e Xi priorizou setores estratégicos para ambos os lados.
Dentre os temas de interesse, destaca-se o grupo dos minerais críticos, que inclui as terras-raras. O Brasil possui a segunda maior reserva desse recurso no mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, o que posiciona o país como um player central nas negociações globais por esses minérios.
A disputa por esse potencial brasileiro envolve tanto o interesse norte-americano, que busca desenvolver seu próprio parque de refino, quanto o domínio chinês, que atualmente lidera a produção e o refino global das terras-raras. O objetivo de Pequim é manter a competitividade de sua indústria frente ao mercado ocidental.
Além da questão mineral, Lula manifestou o interesse em acelerar o acordo comercial entre o Mercosul e a China. De acordo com o Itamaraty, o desejo de agilizar o processo foi bem recebido pelo presidente Xi Jinping.
Comércio de carne bovina
Apesar de os presidentes terem destacado os bons resultados do comércio bilateral, a nota oficial do governo brasileiro não mencionou as sobretaxas aplicadas à carne bovina produzida no Brasil. O setor enfrenta o risco de uma tarifa de 55% imposta por Pequim após o atingimento das cotas de exportação, sistema adotado pelo governo chinês em dezembro do ano passado.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Brasil já atingiu o limite de seus embarques sem a aplicação da cobrança extra. O setor aguarda agora apenas a contabilização dos envios pela alfândega chinesa para confirmar a situação do esgotamento das cotas.
Embora a atualização do governo da China indique que o Brasil atingiu 80% da cota estabelecida, a Abiec afirma que, na prática, o volume exportado sem a cobrança adicional já foi esgotado.
