Mendonça cobra explicações da PGR sobre mensagem de ex-banqueiro em celular
Ministro André Mendonça deu prazo de cinco dias para que a PGR esclareça conteúdo de mensagem encontrada no celular de Daniel Vorcaro.
Por Redação Diário Local
O ministro André Mendonça estabeleceu um prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) esclareça o conteúdo de uma mensagem encontrada no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A comunicação, identificada durante investigações, menciona a necessidade de proteção de Paulo Gonet, chefe da PGR, e de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.
A investigação apura se a mensagem foi direcionada ao ministro Alexandre de Moraes. Embora não haja identificação direta do interlocutor na conversa, autoridades não descartam que o texto represente um pedido de proteção de Vorcaro ao magistrado. O caso ocorre em um contexto de apuração sobre um possível vazamento de informações na operação que resultou na prisão do ex-banqueiro.
Em paralelo ao caso das mensagens, novos detalhes surgiram sobre um contrato de R$ 131 milhões firmado em 2024 entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. Metadados de um arquivo do contrato, enviado via WhatsApp para Vorcaro, indicariam que o documento foi editado por um usuário identificado como "Ministro Alexandre de Moraes".
A advogada Viviane Barci de Moraes afirmou que o ministro foi consultado sobre o contrato assinado entre o seu escritório e o ex-banqueiro. O registro do documento foi analisado antes da assinatura do acordo.
As informações sobre o Banco Master e as mensagens de Vorcaro ocorrem em um período de discussões internas sobre ética no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Edson Fachin, que assumiu a presidência da Corte em 29 de setembro de 2025 (segunda-feira), estabeleceu como uma de suas metas a elaboração de um Código de Conduta para definir regras para os tribunais superiores.
O movimento por novas regras de conduta segue após episódios que envolvem membros da Corte. Entre eles, cita-se a viagem do ministro Dias Toffoli ao Peru para assistir à final da Copa Libertadores da América, em um voo particular que contava com a presença de um advogado ligado ao caso do Banco Master.
O cenário de questionamentos sobre a conduta de autoridades acontece durante o período de campanha eleitoral. Embora os candidatos não tenham sido envolvidos nas conversas investigadas, o episódio traz novos elementos para o debate sobre a sucessão na instituição.
Até o momento, o ministro Alexandre de Moraes não se manifestou sobre os novos desdobramentos envolvendo as mensagens ou a edição de documentos do Banco Master. As autoridades seguem apurando o alcance das comunicações e a relação entre os envolvidos.
