Polícia Federal cumpre mandados de busca em operação que investiga venda de influência no Judiciário
Terceira fase da Operação Transparência cumpre mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo
Por Redação Diário Local
A Polícia Federal (PF) cumpre, nesta segunda-feira (14), quatro mandados de busca e apreensão em endereços no Distrito Federal e em São Paulo durante a terceira fase da Operação Transparência. A investigação apura um grupo suspeito de negociar pagamentos em troca de uma suposta influência sobre decisões do Poder Judiciário.
As ordens de busca foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a corporação, os investigados teriam utilizado a alegação de proximidade com o sistema de Justiça para convencer terceiros a realizarem pagamentos expressivos.
O foco das negociações seria a promessa de interferência direta no resultado de processos que tramitam na Justiça. A Polícia Federal tenta agora identificar quais seriam os processos envolvidos e se os valores negociados foram efetivamente pagos.
Nesta fase da operação, não há informações sobre o cumprimento de mandados de prisão, nem sobre os nomes dos alvos ou os endereços exatos das buscas. A PF também não divulgou os valores que estariam sendo objeto das negociações.
As buscas realizadas nesta segunda-feira (14) têm o objetivo de arrecadar provas materiais, como celulares, computadores, documentos e outros arquivos digitais. O conteúdo apreendido passará por análise para reconstruir a atuação do grupo e rastrear movimentações financeiras.
Participação do Judiciário
A Polícia Federal fez uma ressalva importante sobre o alcance do esquema. Até o momento, a corporação afirmou que não foram encontrados elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos apurados.
A linha de investigação sugere que os suspeitos podem ter apenas alegado possuir influência sobre magistrados ou autoridades para obter vantagens. Dessa forma, a existência da suposta influência não significa que juízes ou funcionários da Justiça tenham participado das conversas ou dos pagamentos.
Crimes investigados
Os envolvidos podem responder por diversos crimes, incluindo exploração de prestígio e tráfico de influência. A exploração de prestígio ocorre quando alguém solicita vantagem sob o pretexto de influenciar autoridades ou membros do Ministério Público e da Justiça.
Já o tráfico de influência está relacionado à cobrança de vantagem para influenciar atos praticados por funcionários públicos. Além desses, a Polícia Federal também investiga possíveis práticas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Origem da operação
A Operação Transparência teve início em dezembro de 2025. O foco inicial da investigação era apurar possíveis irregularidades relacionadas à destinação de emendas parlamentares.
A atual etapa da operação representa uma nova frente de atuação. Os investigadores buscam agora conectar as suspeitas iniciais sobre as emendas com as novas denúncias de negociações envolvendo processos judiciais.
A Polícia Federal ainda analisa as provas recolhidas para determinar a responsabilidade individual de cada alvo. Somente após a perícia dos materiais apreendidos será possível esclarecer a extensão total das atividades do grupo investigado.
