Diário Local
Rio de Janeiro

Câmara do Rio aprova projeto que permite entrada de pessoas com deficiência com alimentos próprios

Projeto aprovado na Câmara do Rio visa evitar discriminação por seletividade alimentar em estabelecimentos públicos e privados.

Por Redação Diário Local

A Câmara do Rio aprovou, nesta terça-feira (4), um projeto de lei que garante às pessoas com deficiência o direito de acessar restaurantes e outros estabelecimentos portando alimentos para consumo próprio e objetos pessoais. A proposta busca evitar que famílias sejam impedidas de frequentar espaços públicos ou privados devido a necessidades alimentares específicas.

A medida tem como foco combater a discriminação relacionada à seletividade alimentar. Essa condição é comum entre pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) e outros tipos de deficiência, o que muitas vezes gera barreiras em estabelecimentos comerciais.

O projeto é de autoria do vereador William Siri (PSOL). Após a aprovação na Câmara, o texto segue agora para o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), que poderá sancionar ou vetar a nova norma.

Caso a proposta se torne lei, o acesso com alimentos ou objetos pessoais só poderá ser restringido se houver risco comprovado à segurança da própria pessoa ou de terceiros. Fora essa exceção de segurança, o direito ao acesso deve ser assegurado.

Para evitar impedimentos indevidos, a condição de deficiência poderá ser comprovada de diferentes formas. O texto permite o uso de laudos ou atestados médicos emitidos por profissionais das redes pública ou privada.

A apresentação da Carteira de Identificação da Pessoa com Deficiência também é válida como comprovação, desde que o documento esteja dentro do prazo de validade.

Quais são as penalidades para os estabelecimentos?

O projeto estabelece punições para os locais que descumprirem a norma. As sanções previstas variam entre advertência e multa de R$ 4 mil.

Em situações de reincidência, o valor da multa poderá ser dobrado. Dependendo da gravidade ou do histórico de descumprimento, o estabelecimento poderá sofrer até mesmo a interdição do local.

O vereador William Siri afirmou que situações de restrição a pessoas com necessidades alimentares específicas ainda são recorrentes na cidade. Segundo o parlamentar, o problema não é apenas abstrato, mas fruto da falta de conscientização.

O autor da proposta destacou que não são raros os casos em que pessoas com transtorno do espectro autista são impedidas de entrar em restaurantes com seu próprio alimento. O objetivo do projeto é alinhar o funcionamento dos locais a essas necessidades.

A proposta foca na inclusão de famílias que, atualmente, podem enfrentar dificuldades para socializar em ambientes de alimentação devido às exigências de dieta de seus integrantes.

Com a sanção da lei, os estabelecimentos deverão estar preparados para receber clientes que portem itens de uso pessoal e alimentação própria, respeitando a legislação municipal.

A medida busca criar um ambiente de maior acolhimento e reduzir os conflitos entre estabelecimentos e clientes que possuem necessidades biológicas ou sensoriais específicas.

O acompanhamento da aplicação da lei deve ocorrer por meio dos órgãos de fiscalização competentes do município do Rio de Janeiro.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.