Brasil tem baixa representação feminina na política e está longe de modelos como o da Dinamarca
Dados mostram que o Brasil ocupa a 139ª posição mundial em representatividade parlamentar feminina, enquanto a Dinamarca lidera índices de combate à corrupção.
Por Redação Diário Local
O Brasil ocupa a 139ª posição no ranking mundial de representação parlamentar feminina, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). O país possui apenas 17% das cadeiras ocupadas por mulheres no parlamento, um índice que corresponde a cerca de um terço da proporção feminina na população total do país.
A baixa participação política das mulheres contrasta com o modelo de países como a Dinamarca. Na nação nórdica, as mulheres ocupam 48% das cadeiras do parlamento nacional e o país é apontado por instituições internacionais como um dos que apresentam os menores índices de corrupção governamental no mundo.
A Dinamarca, que também apresenta altos índices de felicidade e qualidade de vida, é governada por uma primeira-ministra desde 2019. O país utiliza a equidade de gênero como uma estratégia de estado para promover equilíbrio nas decisões e maturidade política nas instituições.
No cenário brasileiro, a estrutura de poder ainda reflete um descompasso com as mudanças sociodemográficas das últimas décadas. As mulheres tornaram-se maioria na formação acadêmica e chefiando lares, mas a representação institucional não acompanhou esse movimento de autonomia.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ideia aponta que a percepção da população sobre o tema é majoritariamente favorável à presença feminina. De acordo com o levantamento, 55% dos brasileiros acreditam que o Brasil seria um país menos corrupto com mais mulheres na política.
O estudo revela ainda que 58% dos entrevistados possuem a crença de que as mulheres detêm soluções melhores para os problemas reais do país. O dado sugere uma expectativa de mudança na gestão pública através da diversidade de gênero.
Contudo, barreiras culturais e o machismo estrutural ainda influenciam a visão de parte da sociedade. A pesquisa indica que 35% dos brasileiros afirmam sentir estranhamento ao ver mulheres ocupando cargos na política.
Esse índice de estranhamento é considerado elevado, sendo superior ao relatado em relação à presença de mulheres nas Forças Armadas. O levantamento mostra que a ocupação de espaços de poder por mulheres ainda enfrenta resistências culturais consolidadas.
No campo institucional, os partidos políticos brasileiros têm demonstrado reticência quanto à manutenção de mecanismos de inclusão. Durante as discussões eleitorais, diversos partidos pleitearam junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a flexibilização das cotas para mulheres e negros.
O movimento para flexibilizar as cotas foi observado em diversas frentes ideológicas, unindo diferentes legendas no pleito recente. A medida é vista por analistas como um entrave para o aumento da representatividade de grupos historicamente sub-representados.
Do ponto de vista do desenvolvimento humano, a falta de equidade é apontada como um fator que contribuiu para resultados medíocres em áreas como distribuição de renda e qualidade de vida. A hegemonia masculina nas instituições públicas molda as decisões políticas há décadas.
O cenário da representatividade feminina é acompanhado de perto por organizações internacionais devido ao impacto na governança. O Brasil ainda busca alinhar sua estrutura política à realidade de sua população, que é majoritariamente feminina.
O cenário para as eleições de 2026
A discussão sobre a importância da representatividade deve ganhar força com a aproximação das eleições de 2026. Especialistas apontam que a mudança na composição do poder pode ocorrer por meio da manifestação popular através do voto.
A busca por maior equilíbrio nas instituições passa pela consciência de lideranças partidárias e da sociedade civil. O aumento do número de candidatas é visto como um caminho para tentar reduzir o abismo entre a composição demográfica e a parlamentar.
