Grupos internos do PT questionam estratégia de comunicação da campanha de Lula
Grupos que focaram em eleições estaduais buscam maior influência no marketing político da campanha presidencial.
Por Redação Diário Local
A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta resistências internas sobre a estratégia de comunicação e marketing político. Grupos de políticos que atuaram nas eleições estaduais buscam exercer maior influência sobre as ações voltadas ao Palácio do Planalto.
Os questionamentos nos bastidores do governo atingem o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, e o marqueteiro Raul Rabelo, que é sócio do ministro em uma agência de publicidade. O principal ponto de atrito é o deslocamento da campanha nas redes sociais, especialmente o desempenho registrado durante o primeiro turno.
Segundo apuração, as iniciativas de comunicação digital que têm apresentado maior efeito nas últimas semanas não partem do núcleo central da campanha, mas sim de parlamentares de outros partidos. Entre os exemplos citados estão os canais de WhatsApp organizados pelos deputados André Janones (Rede-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP).
Para conter as pressões e manter o controle da gestão, o ministro Sidônio Palmeira tem buscado apoio de lideranças do próprio partido. Entre os aliados de bastidores estão o ex-governador do Ceará, Camilo Santana (PT), e o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT).
A influência de Fonteles no PT aumentou após sua vitória nas eleições estaduais em primeiro turno, quando o governador obteve 70% dos votos. O desempenho eleitoral deu ao político maior peso nas articulações internas da legenda.
Em movimentação política recente, o governador do Piauí se reuniu com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, na última quinta-feira (15). A reunião ocorre em um cenário de mudanças nas alianças políticas, após Kassab romper com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Flávio Bolsonaro (PL).
A disputa por espaço na comunicação reflete o desafio do grupo político em centralizar a narrativa de reeleição diante de vozes externas que ganharam tração digital. Enquanto o núcleo oficial tenta consolidar o marketing, parlamentares de outras siglas ocupam lacunas na mobilização via redes sociais.
O cenário de bastidores demonstra que a organização da campanha para o Palácio do Planalto depende agora do equilíbrio entre o comando da Secom e as novas forças políticas que emergiram com os resultados das eleições estaduais.
